Soja segura R$ 162 a R$ 163 nos portos mesmo com queda de Chicago; dólar e prêmios sustentam Brasil
A soja terminou esta quarta-feira (23) em baixa na Bolsa de Chicago, mas o movimento não se repetiu no mercado brasileiro. A forte valorização do dólar, prêmios mais firmes e a demanda presente nos portos ajudaram a sustentar as cotações domésticas, mantendo oportunidades importantes de comercialização para o produtor.
O novembro/26 encerrou o pregão em Chicago a US$ 13,18 por bushel, com perda de 7,50 pontos. Janeiro/27 também caiu 7,50 pontos, para US$ 13,33¾; março/27 recuou 6,25 pontos, a US$ 13,42½; e maio/27 perdeu 5,25 pontos, fechando a US$ 13,50.
No Brasil, porém, o dólar caminhou na direção contrária e avançou mais de 1% frente ao real, chegando a superar os R$ 5,17 durante a sessão. A combinação entre câmbio e prêmios conseguiu, assim, neutralizar boa parte da pressão externa sobre a formação dos preços brasileiros.
Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting, destacou que, mesmo diante das perdas em Chicago, os preços nos portos brasileiros permaneceram praticamente nos mesmos níveis do dia anterior. "O mercado agora de porto está de R$ 162, R$ 163 em outubro. Está igual a ontem, mesmo com Chicago em queda", diz.
Além do câmbio, Brandalizze destacou a melhora dos prêmios, que estavam na faixa de 155 a 160 pontos sobre os valores praticados em Chicago, indicando que a demanda pela soja brasileira continua ativa nos portos. "O nível de balcão e mercado de lotes internos segue muito perto do melhor momento do ano, continua favorável", alerta o consultor.
Segundo ele, a demanda nos portos continua sendo uma das principais responsáveis pela sustentação das cotações domésticas.
AS BAIXAS EM CHICAGO
Em Chicago, o cenário é diferente. A colheita norte-americana ganha velocidade e, até agora, as produtividades observadas nas principais regiões produtoras permanecem dentro das expectativas.
Brandalizze explica que, enquanto áreas prejudicadas pelo clima registram rendimentos menores, regiões importantes de Iowa, Illinois e Indiana vêm apresentando produtividades melhores, reforçando o tradicional “efeito safra” sobre as cotações.
"Colheita americana adiantada e produtividade vindo dentro da expectativa estão trazendo o efeito safra", explica. Sem um novo fator de demanda capaz de contrabalançar a entrada da safra, a tendência sazonal é de maior pressão sobre Chicago à medida que os trabalhos avançam.
Além disso, o mercado chegou à semana alimentando expectativas de novas compras chinesas de soja americana antes do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping. Até esta quarta-feira, porém, segundo Brandalizze, essas novas vendas esperadas não haviam aparecido, retirando parte do fôlego das cotações.
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O encontro desta quinta-feira (24) passa agora a ser o principal ponto de atenção para Chicago. Na avaliação do consultor, uma novidade relevante relacionada à demanda chinesa poderia devolver algum fôlego aos futuros. Sem isso, a entrada da safra norte-americana tende a ganhar ainda mais peso sobre as cotações.
Ele lembrou ainda que Chicago vinha trabalhando nos melhores patamares em quase quatro anos, com os principais vencimentos acima dos US$ 13 por bushel, abrindo oportunidades de comercialização e proteção.
Para Brandalizze, portanto, o produtor não deveria condicionar suas decisões apenas ao resultado do encontro entre Trump e Xi, ao clima ou a outros acontecimentos externos, mas aproveitar os atuais níveis para estruturar estratégias diante da possibilidade de novas correções. Para o produtor brasileiro, portanto, Chicago caiu nesta quarta-feira, mas o mercado nacional continua oferecendo boas oportunidades de comercialização.