Soja fecha terça-feira em queda em Chicago apesar de nova venda de 612 mil toneladas à China
Os preços internacionais da soja encerraram a terça-feira (20) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), depois de alternarem pequenas altas e baixas durante a manhã. A pressão sobre o complexo soja, especialmente sobre o farelo, e o avanço da colheita americana permaneceram no radar dos investidores, mesmo diante de novos sinais de recuperação da demanda chinesa.
O contrato novembro/26 terminou o pregão negociado a US$ 12,4825 por bushel, com desvalorização de 5,25 pontos, equivalente a 0,42%. O janeiro/27 recuou 5,25 pontos, para US$ 12,6350, enquanto o março/27 perdeu 4,50 pontos e encerrou a US$ 12,7325 por bushel. As perdas ocorreram após uma abertura positiva, quando o novembro/26 avançava 2,75 pontos. Ao longo do pregão, os vencimentos perderam força e passaram a operar em campo negativo, consolidando a segunda sessão consecutiva de desvalorizações.
Demanda chinesa cresce, mas colheita americana pressiona
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou nesta terça-feira uma nova venda privada de 612 mil toneladas de soja americana para a China, com entrega prevista para a temporada comercial 2026/27. O anúncio reforça a retomada das compras chinesas, após o departamento informar, na segunda-feira, que as inspeções semanais de exportação de soja dos Estados Unidos alcançaram aproximadamente 2 milhões de toneladas, crescimento superior a 80% na comparação semanal.
A China respondeu por cerca de 1,28 milhão de toneladas inspecionadas, consolidando-se como o principal destino da oleaginosa americana no período. Apesar das notícias positivas para a demanda, os novos volumes comercializados não foram suficientes para sustentar os contratos futuros nesta terça-feira, diante da pressão exercida pela maior disponibilidade do produto nos Estados Unidos.
O mercado continua acompanhando o avanço da colheita norte-americana, que alcançou 64% da área cultivada na semana encerrada em 18 de outubro, segundo o último relatório do USDA. Os trabalhos avançaram 18 pontos percentuais em uma semana e ficaram apenas um ponto percentual abaixo da média histórica de 65%, reforçando a entrada sazonal de soja no mercado.
Além da pressão da oferta, o farelo de soja também encerrou a terça-feira com perdas expressivas na Bolsa de Chicago. O contrato dezembro/26 terminou cotado a US$ 348,70 por tonelada, com desvalorização de 1,72%. O janeiro/27 recuou 1,53%, para US$ 347,50, enquanto o março/27 perdeu 1,17%, encerrando a US$ 346,70 por tonelada.
As quedas do derivado reforçaram o ambiente negativo observado no complexo soja ao longo da sessão. Em análise divulgada nesta semana, a Grainsights, inteligência de mercado da Grão Direto, já havia apontado a fraqueza do farelo entre os fatores associados às perdas recentes da soja em Chicago, juntamente com a pressão sazonal da colheita americana e o posicionamento dos investidores.
Mercado físico brasileiro também registra baixas
No Brasil, o levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas nesta terça-feira apontou desvalorizações em diferentes regiões produtoras. As quedas ocorreram em Ubiratã e Marechal Cândido Rondon, no Paraná; Tangará da Serra, Campo Novo do Parecis e Sorriso, em Mato Grosso; Eldorado, em Mato Grosso do Sul; Brasília, no Distrito Federal; e Cândido Mota, em São Paulo. As demais praças com comparação disponível permaneceram estáveis, sem registro de valorização no levantamento.
Segundo análise da Safras & Mercado divulgada nesta terça-feira, a comercialização brasileira segue cautelosa, diante da dificuldade de compensar os efeitos das oscilações de Chicago e do câmbio por meio dos prêmios de exportação. A consultoria destacou que os produtores têm demonstrado resistência aos preços oferecidos, mantendo os negócios concentrados em operações pontuais.
Além do comportamento das cotações, o mercado brasileiro acompanha a evolução do plantio da safra 2026/27. As chuvas têm favorecido o avanço da semeadura em parte do Centro-Oeste, mas o excesso de precipitações no Paraná e a distribuição irregular da umidade em outras regiões continuam exigindo atenção dos produtores.