Soja fecha em queda pelo terceiro dia consecutivo em Chicago, apesar de novas compras chinesas
Os preços futuros da soja encerraram a quarta-feira (21) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), acumulando a terceira sessão consecutiva de desvalorização. Apesar de uma recuperação parcial ao longo do pregão, os principais contratos permaneceram no campo negativo, com o avanço da colheita nos Estados Unidos e as perspectivas de ampla oferta norte-americana continuando a pesar sobre as negociações.
O vencimento novembro/26 terminou o dia cotado a US$ 12,4525 por bushel, com recuo de 3 pontos, equivalente a 0,24%. O janeiro/27 perdeu 5,25 pontos, encerrando a US$ 12,5825, enquanto o março/27 registrou baixa de 7 pontos, valendo US$ 12,6625. Já o maio/27 caiu 7,50 pontos, cotado a US$ 12,7475 por bushel.
Durante a manhã, o novembro/26 chegou a ser negociado a US$ 12,4300 por bushel, mas recuperou parte do terreno perdido ao longo do dia. Ainda assim, a reação não foi suficiente para interromper a sequência de quedas observada desde segunda-feira.
A colheita americana segue como um dos principais fundamentos de pressão sobre as cotações. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 64% da área cultivada com soja no país estava colhida até o último domingo (18), contra 46% na semana anterior. As previsões de condições predominantemente secas no Meio-Oeste americano durante os próximos dias favorecem a continuidade dos trabalhos, ampliando a disponibilidade do grão no período de entrada da safra.
Do lado da demanda, as compras chinesas continuam oferecendo um contraponto ao cenário de oferta. Na terça-feira (20), o USDA confirmou uma nova venda de 612 mil toneladas de soja americana para a China, com entrega prevista para a temporada 2026/27. A operação dá continuidade à retomada das aquisições chinesas nas últimas semanas, mas não foi suficiente para impedir as perdas recentes em Chicago.
Dados divulgados pelas autoridades aduaneiras chinesas também mostraram que o país importou 360,9 mil toneladas de soja dos Estados Unidos em setembro, depois de não registrar compras da origem americana no mesmo mês do ano passado. Apesar da recuperação, o ritmo das aquisições e a concorrência com a soja sul-americana permanecem entre os fatores monitorados pelos operadores.
Plantio brasileiro entra no radar
No Brasil, o mercado acompanha o avanço do plantio da safra 2026/27, com diferenças importantes entre as regiões produtoras. Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura nacional havia alcançado 30,1% da área prevista até a semana encerrada em 16 de outubro, acima dos 15,6% registrados na semana anterior e da média de cinco anos, de 26,4%.
As condições meteorológicas continuam determinantes para o ritmo dos trabalhos. Previsões da World Weather indicam pancadas regulares em Mato Grosso, Goiás e norte de Mato Grosso do Sul, enquanto chuvas mais intensas são esperadas para o Sul do Brasil nos próximos dias.
A evolução das lavouras brasileiras tende a ganhar importância nas próximas semanas, à medida que os operadores passam a acompanhar o potencial de produção da América do Sul, ao mesmo tempo em que a colheita americana avança para sua etapa final.