Soja interrompe sequência de três quedas em Chicago após USDA revelar melhor semana de vendas da temporada

Publicado em 22/10/2026 15:50
Compras chinesas respondem por 77% das 2,84 milhões de toneladas negociadas pelos EUA; novembro encerra quinta-feira com alta de 0,62%

Os preços futuros da soja encerraram a quinta-feira (22) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), interrompendo uma sequência de três sessões consecutivas de desvalorização. A recuperação ganhou sustentação ao longo do pregão, marcado pela divulgação de novos dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que apontaram o melhor desempenho semanal das vendas externas americanas na temporada 2026/27, impulsionado principalmente pela demanda chinesa.

O contrato novembro/26 terminou a sessão cotado a US$ 12,5300 por bushel, com valorização de 7,75 cents, equivalente a 0,62%. O janeiro/27 avançou 6,50 cents, encerrando a US$ 12,6475, enquanto o março/27 registrou ganho de 5,25 cents, valendo US$ 12,7150. O maio/27 subiu 4,25 cents e fechou negociado a US$ 12,7875 por bushel.

O movimento representou uma mudança de direção em relação aos últimos pregões. Na quarta-feira, o novembro/26 havia encerrado cotado a US$ 12,4525 por bushel, após três dias de pressão sobre os futuros. Nesta quinta, as cotações iniciaram a sessão com ganhos moderados e ampliaram a valorização após a divulgação dos números de exportação, mantendo o desempenho positivo até o encerramento.

Segundo relatório divulgado pelo USDA, as vendas líquidas de soja americana alcançaram aproximadamente 2,84 milhões de toneladas na semana encerrada em 15 de outubro, ante 574,9 mil toneladas registradas na semana anterior. O volume representou o maior resultado semanal da atual temporada e ficou próximo do limite superior das expectativas do mercado, que variavam de 1,1 milhão a 3 milhões de toneladas.

A China liderou as aquisições, respondendo por aproximadamente 2,18 milhões de toneladas, o equivalente a 77% do total comercializado. Parte desse volume corresponde a transferências de vendas anteriormente registradas para destinos não identificados, de modo que não representa integralmente novas contratações realizadas durante a semana.

Os embarques efetivamente realizados também apresentaram recuperação, somando cerca de 2,02 milhões de toneladas, avanço de 75% em relação à semana anterior. O resultado reforça a importância da demanda chinesa para o escoamento da produção norte-americana, em um momento de maior disponibilidade de soja com o avanço da colheita.

Leia mais: China impulsiona vendas de soja dos EUA a 2,84 milhões de toneladas, registrando melhor semana da temporada

Colheita americana e safra brasileira permanecem no radar

Apesar da recuperação dos preços, o avanço da colheita nos Estados Unidos continua representando um contraponto aos sinais positivos da demanda. Segundo o USDA, 64% da área de soja do país estava colhida até o último domingo (18), contra 46% na semana anterior. As condições predominantemente secas previstas para o Meio-Oeste americano nos próximos dias também favorecem a continuidade dos trabalhos de campo e a chegada de novos volumes ao mercado.

No Brasil, as atenções se voltam para o desenvolvimento da safra 2026/27. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura havia alcançado 30,1% da área estimada até a semana encerrada em 16 de outubro, superando a média dos últimos cinco anos, de 26,4%.

As previsões meteorológicas apontam aumento das chuvas no Centro-Oeste na próxima semana, condição que pode favorecer a reposição da umidade do solo e o estabelecimento das lavouras. No Sul, entretanto, precipitações mais intensas podem dificultar temporariamente as operações de campo.

A evolução das compras chinesas e das condições de produção na América do Sul continuará sendo acompanhada pelo mercado, que busca equilibrar a recuperação da demanda americana com a perspectiva de oferta elevada nos próximos meses.

Fonte: Notícias Agrícolas

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