Soja inicia novembro com perdas superiores a 1% em Chicago, apesar de inspeções de exportação acima de 2,44 milhões de toneladas
Os preços futuros da soja registraram fortes perdas na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta segunda-feira (2), primeiro pregão de novembro, aprofundando a pressão observada durante a última semana de outubro. Os principais vencimentos recuaram mais de 1%, mesmo após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgar inspeções de exportação superiores a 2,44 milhões de toneladas, reforçando os sinais de demanda externa aquecida pelo produto norte-americano.
Na última cotação da sessão apresentada pela Barchart, o contrato novembro/26 era negociado a US$ 12,0475 por bushel, com recuo de 17,50 cents, equivalente a 1,43%. O janeiro/27 também perdia 17,50 cents, cotado a US$ 12,1675, enquanto o março/27 apresentava baixa de 17,25 cents, para US$ 12,2650. O maio/27 recuava 16,50 cents, negociado a US$ 12,3700 por bushel.
A pressão ganhou intensidade ao longo do dia. Na abertura, o janeiro/27 registrava perda de apenas 1,75 cent, enquanto o novembro/26 trabalhava a US$ 12,2150 por bushel. No início da tarde, os recuos já superavam 15 cents, levando o contrato mais próximo a se aproximar da marca de US$ 12,00.
O movimento ocorre depois de um outubro marcado por desvalorizações expressivas, especialmente na última semana do mês. Na sexta-feira (30), o novembro/26 havia interrompido quatro sessões consecutivas de perdas, mas terminou a semana com recuo acumulado de 2,73%. A nova baixa desta segunda-feira devolveu a pequena recuperação daquele pregão.
Inspeções superam 2,44 milhões de toneladas e acumulam alta de 56% na temporada
O USDA informou nesta segunda-feira que as inspeções de soja para exportação somaram 2.444.828 toneladas na semana encerrada em 29 de outubro. O volume representa redução de 2,28% em relação à semana anterior, mas crescimento de 146,29% na comparação com o mesmo período de 2025.
No acumulado da temporada comercial 2026/27, as inspeções alcançaram 12.181.535 toneladas, avanço de 56,00% em relação às 7.808.575 toneladas contabilizadas no mesmo intervalo do ciclo anterior.
Os resultados reforçam o desempenho positivo da demanda externa, já observado no relatório de vendas semanais divulgado na última quinta-feira (29). Na ocasião, o USDA informou vendas líquidas de 2.576.400 toneladas de soja norte-americana, com a China respondendo por aproximadamente 63% das contratações.
Apesar dos números expressivos, os preços futuros permaneceram pressionados nesta segunda-feira. O comportamento mostra que os indicadores favoráveis de demanda não foram suficientes para sustentar as cotações diante das demais expectativas que influenciam o mercado.
Oferta americana e safra brasileira continuam pressionando expectativas
A entrada da produção norte-americana permanece como um dos principais fatores acompanhados pelos operadores. Segundo o último levantamento do USDA, a colheita de soja havia alcançado 79% da área cultivada até 25 de outubro, acima da média histórica de 77% para o período.
O mercado também aguarda a atualização do Crop Progress desta segunda-feira, prevista para as 18h (horário de Brasília), que apresentará o andamento dos trabalhos até 1º de novembro.
No Brasil, o desenvolvimento da safra 2026/27 continua influenciando as perspectivas de disponibilidade internacional. O avanço do plantio nas principais regiões produtoras sustenta expectativas favoráveis de oferta, embora ainda existam preocupações climáticas localizadas.
Em entrevista recente ao Notícias Agrícolas, Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócio, avaliou que a combinação entre o avanço da colheita americana e as perspectivas produtivas brasileiras ajuda a explicar a pressão recente sobre Chicago. Entretanto, destacou que a demanda interna e externa dos Estados Unidos permanece firme, podendo oferecer alguma sustentação aos preços.
Já Chau Hue, Head de Inteligência de Mercados da Stag Securities, avaliou que o mercado vem revisando as expectativas de produtividade americana e demanda chinesa, ao mesmo tempo em que fundos de investimento reduzem posições compradas anteriormente estabelecidas nos contratos futuros.
Segundo o analista, as perspectivas de oferta elevada na América do Sul e a possibilidade de novas pressões sobre os prêmios de exportação brasileiros também contribuem para limitar o espaço de recuperação das cotações internacionais.
Para os produtores brasileiros, a queda superior a 1% nesta segunda-feira reduz as referências de preços em Chicago, enquanto o comportamento do dólar e dos prêmios de exportação continuará determinante para as condições de comercialização doméstica.
Com o feriado de Finados no Brasil, as negociações regulares na B3 permaneceram suspensas nesta segunda-feira. A retomada dos negócios no mercado brasileiro, nesta terça-feira (3), deverá mostrar como a nova desvalorização internacional será incorporada às referências domésticas.