Soja mantém leves altas em Chicago nesta quinta-feira; mercado acompanha demanda americana
Os preços futuros da soja continuavam operando em alta na Bolsa de Chicago (CBOT) no início da tarde desta quinta-feira (5), mas perderam parte do impulso registrado durante a manhã. Depois de três pregões consecutivos de desvalorização, os contratos tentavam recuperar terreno, enquanto o mercado acompanhava a demanda internacional pela oleaginosa norte-americana e as perspectivas de produção nos Estados Unidos e no Brasil.
Por volta das 13h26 (horário de Brasília), o contrato novembro/26 era negociado a US$ 11,9700 por bushel, com valorização de 3,75 cents em relação ao ajuste anterior. O janeiro/27 avançava 2,25 cents, cotado a US$ 12,0450, enquanto o março/27 registrava ganho de 1,75 cent, para US$ 12,1200. O maio/27 também subia 1,75 cent, negociado a US$ 12,2150 por bushel.
A movimentação representava uma redução dos ganhos em relação à abertura. Pela manhã, o janeiro/27 chegou a ser negociado a US$ 12,0650 por bushel e, ao longo da sessão, alcançou a máxima de US$ 12,1000. Entretanto, não conseguiu sustentar esses patamares, devolvendo parte da valorização.
Apesar da recuperação parcial, as cotações permanecem próximas dos menores níveis registrados nesta semana. Na quarta-feira (4), o janeiro/27 encerrou o pregão a US$ 12,0225 por bushel, depois de chegar a negociar abaixo dos US$ 12,00.
Demanda internacional permanece entre os principais fundamentos
O comportamento das exportações norte-americanas continua sendo acompanhado pelos operadores, depois de uma sequência de anúncios de vendas privadas e indicadores de embarques expressivos.
Na quarta-feira, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou uma venda de 167 mil toneladas de soja para a Espanha, com entrega prevista para a temporada comercial 2026/27.
O anúncio ocorreu depois de operações divulgadas no início da semana, incluindo 136 mil toneladas destinadas à China e outras 134 mil toneladas para destinos não revelados.
Os dados mais recentes de inspeções para exportação também mostraram movimentação elevada. Na semana encerrada em 29 de outubro, foram inspecionadas 2,44 milhões de toneladas de soja norte-americana, enquanto o volume acumulado da temporada alcançou 12,18 milhões de toneladas, crescimento de 56% na comparação anual.
Apesar desses indicadores positivos, Chicago continua encontrando dificuldades para sustentar uma recuperação mais consistente, diante das expectativas de oferta elevada e da possibilidade de ajustes nas posições dos investidores.
Projeções de produção e novo relatório do USDA seguem no radar
As perspectivas de disponibilidade internacional continuam influenciando as expectativas do mercado, especialmente depois das revisões divulgadas pela StoneX nesta semana.
Nos Estados Unidos, a consultoria elevou sua estimativa de produtividade da soja para 55 bushels por acre, passando a projetar produção de 4,725 bilhões de bushels para a temporada 2026/27.
No Brasil, a StoneX também revisou para cima sua projeção, estimando uma safra de 184,95 milhões de toneladas. A expectativa de produção volumosa acrescenta pressão potencial às cotações, embora o desenvolvimento das lavouras ainda dependa das condições climáticas nos próximos meses.
O mercado aguarda agora o relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para 10 de novembro, que poderá trazer novas estimativas oficiais para a produção norte-americana e os estoques.
Para os produtores brasileiros, as oscilações desta quinta-feira mantêm a atenção sobre o comportamento de Chicago, o dólar e os prêmios de exportação. A tentativa de recuperação internacional representa uma melhora pontual nas referências, mas ainda não caracteriza uma mudança consistente na tendência observada nos últimos pregões.