Soja oscila perto da estabilidade em Chicago nesta sexta-feira, com janeiro ainda abaixo dos US$ 12,00

Publicado em 06/11/2026 09:29
Mercado tenta encontrar sustentação com recuperação do petróleo, mas oferta elevada mantêm cautela

Os preços futuros da soja iniciaram a sexta-feira (6) próximos da estabilidade na Bolsa de Chicago (CBOT), depois de quatro pregões consecutivos de desvalorização. O contrato janeiro/27 permanecia abaixo dos US$ 12,00 por bushel, enquanto o mercado acompanhava a recuperação do petróleo, as perspectivas de demanda internacional e as expectativas de produção elevada nos Estados Unidos e no Brasil.

Por volta das 9h14 (horário de Brasília), o contrato novembro/26 era negociado a US$ 11,8200 por bushel, com valorização de 1,00 cent. O janeiro/27 recuava 0,75 cent, cotado a US$ 11,8750, enquanto o março/27 apresentava baixa de 1,25 cent, para US$ 11,9500. O maio/27 perdia 1,50 cent, negociado a US$ 12,0475 por bushel.

As pequenas oscilações ocorrem depois de uma quinta-feira (5) marcada por quedas superiores a 1% em Chicago. O janeiro/27 encerrou o pregão anterior a US$ 11,8825 por bushel, acumulando perdas desde o início de novembro, em meio às preocupações com a oferta e à movimentação dos investidores.

Petróleo oferece contraponto, mas oferta continua no radar

Entre os fatores acompanhados pelo mercado nesta sexta-feira está a recuperação dos preços do petróleo, que pode favorecer as expectativas de demanda por matérias-primas destinadas à produção de biocombustíveis.

Segundo análise da Reuters, a valorização da commodity energética contribuiu para uma tentativa de recuperação dos grãos em Chicago. Entretanto, soja e milho ainda caminhavam para encerrar a semana com perdas, pressionados pelas perspectivas de disponibilidade elevada no mercado internacional.

O comportamento do óleo de soja também permanece importante. Na quinta-feira, o diretor da Pátria Agronegócios, Cristiano Palavro, destacou ao Notícias Agrícolas que as quedas do petróleo e as incertezas sobre o programa americano de biocombustíveis contribuíram para pressionar os futuros da oleaginosa.

O analista também alertou para a exposição comprada ainda expressiva dos fundos de investimento em soja, avaliando que novas liquidações de posições poderiam ampliar a pressão sobre as cotações.

Produção americana e safra brasileira mantêm expectativas de oferta elevada

As perspectivas de produção continuam entre os principais fundamentos acompanhados pelos operadores, especialmente com a aproximação do próximo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

A StoneX elevou recentemente sua estimativa de produtividade americana para 55 bushels por acre, passando a projetar uma produção de 4,725 bilhões de bushels na temporada 2026/27.

No Brasil, a consultoria também revisou para cima sua projeção de produção, agora estimada em 184,95 milhões de toneladas. O desenvolvimento da safra brasileira permanece condicionado às condições climáticas, mas o avanço do plantio e as perspectivas de uma colheita volumosa continuam influenciando as expectativas dos compradores.

Em análise divulgada nesta sexta-feira, a Farm Futures destacou que a demanda chinesa e o processamento doméstico americano continuam oferecendo fundamentos positivos à soja, embora uma recuperação mais consistente dos preços possa depender de mudanças nas expectativas de produção.

O mercado aguarda agora o relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para terça-feira, 10 de novembro, que deverá acrescentar novas referências sobre a produção e os estoques norte-americanos.

Para os produtores brasileiros, a estabilidade observada nesta abertura ainda não representa uma reversão da pressão recente. O comportamento do dólar, dos prêmios de exportação e das condições climáticas continuará influenciando as oportunidades de comercialização, enquanto Chicago tenta encontrar sustentação após as perdas acumuladas na semana.

Relembre como fechou o mercado na última quinta-feira (5):

+ Relatório do USDA e declaração da China pressionaram soja em Chicago nesta quinta-feira

Fonte: Notícias Agrícolas

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