OGM na União Européia, um problema que afeta o mundo

Publicado em 20/01/2010 10:58 e atualizado em 20/01/2010 12:34 1006 exibições
Recentemente a Comissária Agrícola da União Européia, Mariann Fischer Boel, advertiu a Comissão Européia que a falta de soja e ração a base de soja poderá impactar negativamente na produção de carnes no âmbito europeu.
A União Européia tem uma política agressiva no sentido de proibir a importação de produtos agrícolas geneticamente modificados (OGM) sem que haja uma autorização prévia para isto. Recentemente, por exemplo, 200 mil toneladas métricas de soja vinda dos Estados Unidos foram devolvidas por conter soja geneticamente modificada. Com isso, agravou-se ainda mais a dificuldade de se comprar soja em território europeu.
Em verdade esta situação expõe um problema que ocorre na União Européia e que, se não resolvido, terá um impacto cada vez maior na produção de carnes: a falta de clareza com relação aos produtos geneticamente modificados.

Na UE as aprovações de plantações com OGM são difíceis em função da lentidão na sua aprovação, ao mesmo tempo em que os governos são rápidos e radicais na entrada de OGM. Por outro lado, os governos europeus também não estão oferecendo muitas condições para a ampliação das plantações tradicionais, além dos tradicionais subsídios.

A questão tem se mostrado claramente política. Num caso de exportação de milho dos EUA para a UE, a Agência Européia de Segurança Alimentar aprovou o produto, no entanto as exportações não ocorreram, pois não houve a aprovação final, ou seja, política.

Os principais produtores de produtos agrícolas que serão destinados a alimentação animal estão alterando suas plantações para OGM. Argentina já tem 90% de suas plantações de soja baseada em OGM, enquanto o Brasil atingiu 65%. Desta forma, cada vez menos haverá grãos suficientes nos mercados europeus para sustentar a demanda.

Com isso, hoje há uma queda de braço na União Européia. De um lado estão os produtores de carnes, que querem uma entrada mais livre de OGM no mercado europeu, garantindo, assim, o fornecimento de insumos para ração. De outro lado, estão os governos, que adotam políticas agressivas anti-OGM na tentativa de impedir sua entrada livre ou mesmo aumento de consumo dentro da UE.

O resultado desta briga certamente impactará na produção de carnes européias. Importante notar que, caso efetivamente se confirme a “proibição” de vendas de OGM na Europa isso deverá ser acompanhado por um movimento para também impedir a venda de carnes baseadas em alimentação por OGM. Assim, os produtores brasileiros devem buscar políticas para se manterem no mercado nos diferentes cenários. (Focus R.I.)
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Fonte:
Suino.com

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