Produtores de MT declaram guerra contra Monsanto

Publicado em 29/01/2010 09:45 2258 exibições
A guerra dos produtores mato-grossenses à Monsanto – multinacional detentora da tecnologia de sementes transgênicas da soja, conhecida como RR (Roundup Ready) – está declarada. Depois de esgotadas todas as tentativas de diálogo com a empresa, os produtores já pensam em acionar a Justiça. Em Cuiabá, a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja) prepara ação judicial contra a Monsanto. E, em Sinop (500 Km ao Norte de Cuiabá), os produtores também estudam entrar na Justiça contra a empresa.

A Aprosoja quer saber se os valores pagos em royalties pelos sojicultores são devidos. “Queremos saber que tipo de patente que está gerando esta cobrança, pois dependendo da patente, a empresa não direito de cobrar nada. Precisamos saber também o período de validade da patente”, explica o presidente da Aprosoja, Glauber Silveira.

Em Mato Grosso, os produtores elevaram a área plantada de transgênicos de 2,6 milhões de hectares (safra 2008/09) para cerca de três milhões de hectares na safra deste ano. A expansão da área vai aumentar também o lucro da Monsanto, que saltará de R$ 39 milhões para R$ 45 milhões de uma safra para outra, incremento de 15,38%. O valor cobrado pela Monsanto pelo uso da patente, de acordo com cálculos dos produtores, é de R$ 15 por hectare.

A Aprosoja pretende fazer uma notificação para que a Monsato apresente justificativas para a cobrança do royalties. “Temos informações de que a Monsanto está induzindo as sementeiras do Estado a produzir somente sementes transgênicas”, denuncia Silveira. Em Mato Grosso, os transgênicos já ocupam metade de toda a área plantada de soja, cerca de 6 milhões de hectares.

SINOP - Depois de várias conversações, sem resultado, o Sindicato Rural de Sinop estuda propor ação contra a Monsanto. Atualmente, cerca de 50% das lavouras da região Norte de Mato Grosso são cultivadas com variedades transgênicas. Estas se diferenciam das convencionais por serem tolerantes à herbicida à base de glifosato, usado para dessecação pré e pós-plantio, para eliminar qualquer tipo de planta daninha.

Essa tolerância faz com que o agricultor possa aplicar apenas esse herbicida sobre a soja, reduzindo assim seus custos de produção e o número de aplicações. Porém, o questionamento do setor é quanto a cobrança dos royalties pelo uso da semente.

O presidente do Sindicato, Antônio Galvan, explicou que são feitas duas cobranças. A primeira delas na compra da semente, por meio de boletos. “Em janeiro, eles cobraram R$ 0,45 cada quilo de semente, o que equivale a cerca de 30% do preço da saca”.

O principal questionamento é quanto a segunda cobrança, que é feita na saída do produto. Ao chegar nos armazéns, o grão passa por um teste que vai apontar se é transgênico ou não. O problema ocorre porque, em muitos casos, a oleaginosa convencional é contaminada e os produtores acabam tendo que pagar os royalties sem ter adquirido sementes transgênicas.

Isso ocorre tanto na lavoura, por meio de polinização ou na hora do plantio, quanto na hora de estocar a safra. “Se tiver uma lavoura de soja transgênica ao lado de uma convencional, na época da florada, pode ocorrer a polinização. Se as máquinas, na hora do plantio, não forem bem limpas e ficar algumas sementes de transgênicos, também pode haver a contaminação. Desta forma, na hora dos testes, são consideradas transgênicas”.
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Fonte:
Diário de Cuiabá

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2 comentários

  • David Navarro Apucarana - PR

    É extremanente importante esses questionamentos quanto a cobrança de royalties, haja visto que a Indústria desenvolveu e produziu determinada quantidade de semente e colocou no mercado, ora nimguém em sã consciência na gestão de uma empresa coloca determinado produto a venda sem antes avaliar seus custos, e depois define sua margem de lucro sobre o mesmo, isso passou a ser exploração, a Industia vende sua semente obtem seus lucros e depois cobra novamente um % sobre o que o produtor entrega de sua produção ao mercado, isso ao meu ver é exploração. Onde estão nossas instituições CADE / PROCON / MIN. da AGRICULTURA ???

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  • Angelo Miquelão Filho Apucarana - PR

    A Monsanto não é a unica detentora desta tecnologia!

    Noticias a muito tempo divulgadas, davam conta de que outras importantes empresas do ramo detém a tecnologia, mas a unica a registrar e cobrar é a monsnto.

    Inclusive correram boatos de que a cobrança de royalts, teria sido proibida nos Estados unidos, pois o prazo havia terminado e assim considerado de dominio publico naquela país.

    Como eu ja dise, não sou contra a cobrança por novas tecnologias, mas desde que sejam justas e não nos moldes atuais. Não é aceitavel o produtor pagar absurdos 2% em cim a de sua produção, ou seja o valor após o vencimento do boleto é abusivo e sem precedentes. Deveriam fazer a divulgação dos vencimentos nos meios de comunicação, radio, tv e jornais, dinheiro para isso eles ganham muito, mas não há interesse em divulgar e preferem morder os 2% da nossa produção... um absurdo que só aqui é tolerado!

    Se eu devo e eles tem o direito de receber, concordo em pagar! Mas um valor justo, e que nos liberte deles.

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