Internacional : Safras recordes de Brasil e Argentina comprometidas por doenças.

Publicado em 01/02/2010 10:05 e atualizado em 01/02/2010 11:56 1823 exibições

Os fungos da soja estão se espalhando por Brasil e Argentina - segundo e terceiro maiores produtores do mundo, respectivamente - ameaçando colheitas tidas como ganho de demanda.

Os produtores da Argentina enfrentam uma queda “não anunciada” por conta da cercosporiose (fungo cercospora) que pode cortar lucros de até 12% e alcançar o coração das terras dos Pampas. No Brasil, mais de 1200 casos de ferrugem asiática foram registrados, comparados aos 636 na mesma época em 2009, de acordo com a Embrapa.

As chuvas torrenciais provocadas pelo El Nino incentivaram a manifestação dessa doença, que pode reduzir os estoques enquanto o consumo global cresce 6,4% este ano, de acordo como USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O Brasil estima que sua colheita cresça para 65.2 milhões de toneladas, comparada às 57.2 milhões de toneladas do ano passado, enquanto a safra da Argentina crescerá para 53 milhões de toneladas depois de uma colheita de 32 milhões em 2009 por conta de uma seca.

“A doença se espalhou muito rápido por conta das chuvas, e isso pode afetar os rendimentos”, disse Claudia Godoy, pesquisadora da Embrapa. Em 2003-2004, a pior manifestação no país destruiu 8% da safra. A cercosporiose é, relativamente, nova para os produtores de soja argentinos.

Previsões de amortecimento das safras sul-americanas fizeram os preços futuros da soja caírem para seu menor preço em três meses, declinando 1,9%, para US$ 9.14 por bushel na Bolsa de Valores de Chicago no dia 29 de janeiro.

“Quando as safras brasileira e argentina começarem a entrar no mercado em Fevereiro e Março colocarão um pouco mais de pressão nos preços”, diz a analista de grãos e soja Flávia Moura.

Juntos, os dois países da América do Sul irão exportar 33.9 milhões de toneladas de soja em 2010, comparadas as 37.4 milhões dos Estados Unidos, onde a produção será de 91.5 milhões de toneladas.

As chuvas que beneficiam o desenvolvimento da plantação no Brasil também criam condições de alta umidade, que favorecem a ferrugem asiática. Os produtores brasileiros gastaram US$ 1.7 bilhão em fungicidas no ano passado para combater a doença e, ainda assim, perderam 575.800 toneladas para o fungo, de acordo com a Embrapa.

A ferrugem asiática foi encontrada pela primeira vez no Brasil em 2001 e dois anos depois acabou com 4.6 milhões de toneladas da oleaginosa, reduzindo a colheita pra 49.8 milhões de toneladas.

A cercosporiose, que cria pontos marrons nas folhas, cresce no clima úmido. As chuvas torrenciais trazidas pelo El Nino, que quebrou a seca de dois anos na Argentina, estão aumentando a incidência do fungo.

Casos de cercosporiose, que no ano passado estavam concentradas no sul de Córdoba, agora estão sendo encontradas nas principais áreas agrícolas da Argentina.

As chuvas no país têm forçado os produtores a aumentar o uso da pulverização na área das colheitas já que a terra está muito úmida para o uso de veículos.


Tradução : Carla Mendes

Tags:
Fonte:
Bloomberg

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

0 comentário