Radares dos produtores de soja estão voltados para a safra norte-americana

Publicado em 22/06/2010 07:38 e atualizado em 22/06/2010 16:31 501 exibições
Por Fernando Muraro, engenheiro agrônomo e analista de mercado da AgRural Commodities Agrícolas.
Desde 2002, o continente que mais colhe soja no mundo é a América do Sul. Por isso, o abastecimento mundial do grão passa por aqui.

No ano passado, a marca em terras sul-americanas foi de pouca chuva e temperaturas nas alturas, que maltrataram as lavouras do Sul do Brasil, de Mato Grosso do Sul, do Paraguai e especialmente da Argentina.

A produção acabou sendo de apenas 97 milhões de toneladas, ante 116 milhões colhidas em 2008.

A quebra de 2009 gerou boa rentabilidade para os produtores sul-americanos.

Isso os estimulou a reduzir o plantio de milho para ampliar a área de soja, que cresceu quase 5 milhões de hectares. Regada pelo El Niño, a colheita de 2010 acabou sendo o reverso da de 2009.

O Brasil colheu 69 milhões de toneladas, o Paraguai, 7,2 milhões e a Argentina, 54 milhões, levando a América do Sul a 133,7 milhões de toneladas, em considerável recuperação.

Com isso, ajudamos a recompor os estoques mundiais, que passam de 65 milhões de toneladas -novo recorde em volume.

Mas a escassez de soja no ano passado na América do Sul acabou deslocando o consumo chinês para os Estados Unidos.

Os americanos acabaram exportando um volume recorde de soja na atual temporada: 39,6 milhões de toneladas, dos quais 22 milhões para o gigante asiático.

A previsão é que os norte-americanos terminem a temporada 2009/10, em 31 de agosto, com apenas 5 milhões de toneladas de soja estocadas, o que faz as indústrias do país irem à caça da oleaginosa.

Com isso, o cenário neste momento é de abundância em nosso continente e de muito pouca oferta por lá.

Os Estados Unidos estão se preparando para a safra 2010/11 com uma área recorde de 31,6 milhões de hectares.

E, pelo menos até agora, eles têm contado com clima muito favorável ao plantio, que caminha para o fim sem nenhuma dificuldade e com 69% das lavouras classificadas em estado "excelente" ou "bom".

A definição da safra, todavia, dá-se apenas durante o verão norte-americano. Por isso, os próximos 90 dias serão de muita tensão, já que os estoques baixos não permitem grandes perdas.

O cenário projetado pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostra uma safra de 90 milhões de toneladas, com produtividade dentro da tendência de 48,1 sacas por hectare e estoques em torno de 10 milhões de toneladas.

O quadro de abastecimento permanecerá apertado se os americanos, em virtude de algum problema climático, colherem, por exemplo, 46 sacas por hectare.

Por outro lado, os estoques podem se recompor acentuadamente caso a produtividade seja elevada.

Por isso, todos os radares de quem quer plantar soja na safra 2010/11 no Brasil devem estar voltados para a safra norte-americana.

Afinal, os Estados Unidos são o único lugar do mundo onde há falta de soja no momento.

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Fonte:
Folha de São Paulo

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