Em MT, doença desconhecida da soja será mapeada

Publicado em 20/07/2010 07:25 256 exibições
Distúrbio, que impede o amadurecimento da planta, já provocou perdas de até 15% nas propriedades atingidas
Pesquisadores da Embrapa e agrônomos da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho) vão mapear as ocorrências de uma anomalia de causa desconhecida que atacou lavouras de soja de Mato Grosso.

O distúrbio, que impede o amadurecimento da planta e causa altos índices de abortamento de flores e vagens, já provocou perdas de até 15%, em média, nas propriedades atingidas.

Por ter sintomas parecidos com os da soja louca, doença causada pelo percevejo verde, a anomalia vem sendo chamada de "soja louca 2".

O levantamento das ocorrências será apenas o primeiro passo para compreender e tentar combater a anomalia.

INCIDÊNCIA

"Já se percebeu que a anomalia atingiu tanto cultivares transgênicos quanto convencionais", disse o pesquisador Maurício Meier, da Embrapa Soja, durante reunião realizada em Cuiabá.

O gerente técnico da Aprosoja, Luiz Nery Ribas, disse à Folha que a soja louca 2 se manifesta em "manchas", e não em áreas contínuas, e que os registros se concentram na região médio-norte do Estado.

"Já vínhamos acompanhando o surgimento dessa situação há uns dois anos, mas eram casos isolados e que não causavam perdas significativas", afirmou.

"Ainda não há dados consistentes para fazer indicações aos produtores. É uma anomalia nova e há muitas suposições", disse Ribas.

Em Sorriso (420 km de Cuiabá), a soja louca 2 atingiu uma área de 1.200 hectares do sojicultor Sérgio Antonello Rubin e causou perdas de 15% na produção. "Tivemos talhões (porções de terreno) de 50 hectares inteiramente perdidos", diz.

Em safras anteriores, segundo ele, foi possível notar o problema, mas as perdas não chegavam a 1%. "Nesta safra, a situação explodiu."

O professor Paulo Degrande, do Departamento de Agronomia da Universidade Federal da Grande Dourados (MS), disse que está sendo discutida a suspeita de que um tipo de ácaro, habitante em abundância nos solos brasileiros, pode ser um dos causadores do distúrbio.

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Fonte:
Folha de São Paulo

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