Clima e soja, destaques de uma safra recorde

Publicado em 10/09/2010 07:33
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Puxada por uma colheita de soja de elevado rendimento, a produção brasileira de grãos confirmou as projeções dos últimos meses e de fato atingiu seu recorde histórico na temporada 2009/10, que está em fase final de comercialização.

Conforme o último levantamento de campo da Conab sobre o andamento da safra, a produção de grãos totalizou 148,996 milhões de toneladas, 10,3% mais que em 2008/09.

Por si só expressivo, o resultado chama ainda mais a atenção por ter sido obtido com uma área plantada 0,7% inferior à do ciclo anterior, estimada pela Conab em 47,323 milhões de hectares.

Nesse contexto, o salto registrado da produção total veio pelo incremento dos investimentos em tecnologia nas lavouras, que foram mais baixos em 2008/09 por conta dos altos preços de insumos como fertilizantes e, especialmente, pelo clima extremamente favorável sobretudo às plantações de soja.

É verdade que a seca dos últimos meses, reflexo do fenômeno La Niña, ainda pode prejudicar o fim da safra das culturas de inverno na região Sul. Mas, em geral, poucas temporadas agrícolas foram tão beneficiadas pelas condições observadas em 2009/10.

Já se sabe que a mesma La Niña, que já provocou estragos na Rússia e em outros países europeus e que tem por característica reduzir o regime de chuvas no sul da América do Sul, tende a atrasar o plantio da nova safra (2010/11), que deverão começar em meados de setembro.

Espera-se que a prevista seca não prejudique tanto a produção como aconteceu em 2008/09, mas há incertezas no ar. Naquela temporada, que na Argentina foi marcada pela pior seca em mais de 50 anos, a colheita de grãos do Sul foi afetada a ponto de deixar espaço para o forte crescimento observado em 2009/10.

Mas se o câmbio ainda é um entrave para exportadores de grãos como soja e milho, o que sempre é motivo para desânimo, do ponto de vista de preços, principalmente no mercado internacional, as apostas para ampliar novamente o plantio ganham fôlego. As previsões atuais, porém, apontam estabilidade ou mesmo uma pequena redução em relação ao recorde recém-obtido.

O "Oscar" de 2009/10 foi mesmo para a soja, tradicional carro-chefe do campo nacional em volume, valor bruto da produção e exportações. Não só a área plantada da commodity cresceu 7,9% na comparação com 2008/09, o maior percentual entre as cinco culturas que apresentaram expansão nesta frente (nove ocuparam áreas menores), como a colheita cresceu 20,2%, comprovando que nenhum outro produto foi tão ajudado pelo clima.

Com quase 69 milhões de toneladas, a soja respondeu impressionantes 46% da produção total de grãos do país no ciclo. Nem a produção total de milho, apesar dos problemas de 2008/09, cresceu tanto. Nesse caso o salto foi de 10%, para 56,124 milhões de toneladas, com direto a surpresas no fim: em relação à projeção de agosto da Conab, a colheita de milho será quase 1,75 milhão de toneladas maior.

Se não foi suficiente para superar a soja, a recuperação do milho foi a principal responsável pela ampliação da liderança do Sul na produção nacional de grãos. As previsões da Conab apontam para um total de 62,839 milhões de toneladas na região em 2009/10, ante 52,825 milhões no Centro-Oeste.

A recuperação sulista também devolveu ao Paraná o título de principal Estado produtor de grãos do país, ainda que Mato Grosso encabece o ranking da soja. A Conab estima a colheita paranaense total em 31,165 milhões de toneladas, quase 25% a mais que em 2008/09. O volume total mato-grossense está previsto em 29,277 milhões de toneladas, 3,4% superior à do ciclo anterior.
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Fonte: Valor Econômico

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