Agricultores do Paraná aguardam chuva para iniciar plantio da soja

Publicado em 16/09/2010 07:53
516 exibições
Durante três meses o plantio da soja esteve proibido em todo o Estado. O motivo foi o período de vigência do Vazio Sanitário da oleaginosa, medida tomada para evitar a propagação da Ferrugem Asiática. Com o fim da medida, as plantadeiras estão alinhadas, os insumos começando a ser estocados para a safra de verão e o início do plantio depende agora da temporada de chuvas, prevista para outubro.

Esta foi a terceira vez em que a medida foi adotada para controlar a praga que ataca as plantas e causa prejuízos que podem chegar a 90% do que era esperado de lucro. Outro problema é que aumenta os custos de produção com a aplicação de fungicida repetidas vezes. O fungo da ferrugem precisa de planta verde, assim, com o período de 90 dias a incidência tende a diminuir consideravelmente.

O Secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Erikson Camargo Chandoha, destacou, recentemente, que há três anos, as perdas chegavam a R$ 2 bilhões só no Paraná. Desde que começou a ser feito o controle, em 2007 ele afirmou que foi sentida uma redução de 20% a 25% nos gastos com fungicidas e as perdas dos produtores. Isso beneficia o produtor e reduzimos o custo de produção da lavoura de soja, afirma.

O Engenheiro Agrônomo, José Alcir de Oliveira, do setor de fiscalização do Núcleo Regional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná (SEAB) explicou que mesmo antes dos 60 dias de vigência do Vazio, os agricultores já estavam sendo notificados. Em toda a área de autuação do Núcleo Regional da Seab, foram 10 notificações, em um total de 513 hectares. As notificações acontecem para lembrar o agricultor sobre o período de vigência do vazio.

Este ano, o clima seco foi um aliado no combate à Ferrugem, pois para que a mesma se desenvolva são necessárias temperaturas acima dos 18ºC e chuvas abundantes. Segundo especialistas, graças a baixa umidade do ar, nessa próxima safra deverá diminuir consideravelmente a incidência de doenças e pragas. Mas se a ausência de chuva foi um aliado no período entressafras, agora os produtores aguardam ansiosamente pela sua chegada. De acordo com as previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para os próximos três meses, a probabilidade maior é de que as chuvas ocorram dentro no esperado na região de Campo Mourão.

Apesar da liberação, enquanto a estiagem não terminar, o conselho dos engenheiros agrônomos é mesmo esperar. Até antes da soja, muita gente planta o milho. Aqui na cooperativa já tem muitos cooperados retirando as sementes e insumos das duas culturas, mas para todos o que recomendamos que esperem, explicou em entrevista recente o engenheiro agrônomo Paulo Henrique Noronha Dias. Segundo ele, a pressa dos agricultores em iniciar o plantio também ocorre por medo da falta de chuva na época da formação do grão.
Tags:
Fonte: Tribuna do Interior

Nenhum comentário