Produtividade do milho nos Estados Unidos decepciona produtores e analistas

Publicado em 23/09/2010 17:43 e atualizado em 23/09/2010 19:10
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Por Mike McGinnis

O jornalista Mike McGinnis, especializado na comercialização de commodities agrícolas, faz um relato do que acontece no mercado internacional da soja, milho e trigo. Ele afirma que já no início da colheita nos Estados Unidos o que se percebe é uma queda dramática na produtividade do milho, que está abaixo do que os produtores e analistas esperavam. Segundo ele os produtores esperavam uma produtividade de 200 a 220 bushels por acre, mas os primeiros relatos mostram 160 bushels por acre. Com relação a soja, o mercado está apreensivo com a safra da América do Sul, principalmente do Brasil, que deve sofrer consequências do fenômeno climático La Niña. Acompanhe:

"Há uma alta no mercado de grãos, e a produtividade do milho e a situação do trigo continuam sendo questões importantes. Para o milho, os relatórios de produção continuam se mostrando menores do que o previsto e nós estamos ouvindo de muitos analistas como JP Morgan, Informa, AgResource, entre outros, alertando para um rendimento menor do que 160 bushels/acre e estoques finais estimados em bem menos de 1 bilhão de bushels. Esses números representam uma oferta muito apertada para ser usada como média e implica que o mercado deverá usar o preço para limitar a demanda.

A Rússia ainda é uma questão importante em relação ao trigo e ao seu plantio pouco expressivo, mesmo com a chegada de algumas chuvas, finalmente. No entanto, também estamos olhando para possíveis problemas na Argentina e na Austrália por conta de do clima seco em algumas partes dos dois países, o que poderia afetar a produção, e o efeito do La Niña poderia reduzir a produção nesses países e em outros, já que o fenômeno se movimenta ao longo do ano.

Finalmente, não há muitos problemas com as colheitas de soja nos Estados Unidos ainda, entretanto, já se sabe que o La Niña pode ter um efeito muito dramático sobre os rendimentos nas produções da América do Sul. Com isso, a pressão de venda é menor.

A oleaginosa foi tão forte ou mais do que o milho nos últimos dias, em parte devido à necessidade de manter uma relação de soja para milho de, pelo menos, 2 a 1 e por conta do clima na América do Sul, em regiões como o Centro Oeste e o Norte.

Costumava ser normal para ver os mercados se movimentando mais lentamente durante a colheita, mas isso não tem se confirmado nos últimos anos. Ao invés disso, temos as negociações caminhando mais devagar no início da temporada, a partir de julho. Eu pensei que este ano seria diferente, mas até agora parece que o mercado está seguindo o padrão dos últimos anos, e não o padrão histórico. Isso pode mudar a qualquer momento, e pode estar mudando agora como o mercado podendo ser muito mais forte do que foi hoje, mas por agora a tendência é de sustentação com a colheita semelhante às dos últimos anos.

Separadamente, outro analista concorda com o mercado sendo guiado pela oferta e diz: "Eu acho que a alta no mercado está sendo guiada pelos estoques. A demanda é recorde, não quanto às exportação e não quanto ao consumo para alimentação, mas sim com o fator produção de etanol. Além disso, com os níveis de produtividade atuais, os estoques podem ficar apertados. Os estoques do USDA atualmente totalizando 1,116 bilhões de bushels, o volume é o mais apertado desde o ciclo 1995/1996. Nós temos estoques hoje mais reduzidos do que no verão de 2008, quando o milho alcançou US$7,00/bushel"


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Fonte: Redação NA

1 comentário

  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Seria muito bom que a quebra fosse bem maior do que isto, aliás será que não estava exagerada a média de colheita esperada, de 209 a 230 sc/ha? Agora cairam na real, que também não é baixa (160 bushels por acre de 4043 m2) de 167 sc/ha em 33 miulhões de hectares?

    Quanta conversa fiada.... credo!!! Faça suas próprias contas.

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