Grãos: Soja predomina na safra verão 2010/11

Publicado em 05/10/2010 11:10
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A terceira estimativa de produção para safra 2010/11 da AgraFNP é de: 67,2 milhões de toneladas para soja, 28,7 milhões de toneladas para milho verão e 1,6 milhão de toneladas para o algodão em pluma. Para a AgraFNP, o Brasil deverá produzir um volume de soja 2% abaixo do registrado na última temporada, embora deva ocorrer um pequeno aumento da área semeada. A produção de milho verão, por sua vez, deverá ser reduzida em 16%, tanto em função da perda de área para o cultivo de soja quanto pela diminuição na produtividade, em razão do clima esperado para o próximo verão. 

Já para as lavouras de algodão, o ganho de área será responsável pela elevação da produção no Brasil, patrocinado pelos altos preços pago na pluma. Por outro lado, a situação observada no ciclo anterior é muito distinta dos prognósticos que vem se desenhando para nova temporada. Na safra 2009/10, o Brasil estava sob a influência do El Niño e a produtividade da soja e do milho verão chegou perto de níveis recordes com uma distribuição de chuvas mais homogêneas. Na temporada atual, o fenômeno La Niña continuará influenciando o clima do Brasil durante a primavera. Embora a produção de algodão seja de alto risco, alguns produtores que semearão a cultura a partir de janeiro/11 poderão ser beneficiados, uma vez que o La Niña tende a promover precipitações mais regulares durante o primeiro trimestre de cada ano. 

Centro-Sul
O terceiro levantamento de intenção de plantio 2010/11 da AgraFNP apontou que a área de soja deverá crescer 492 mil hectares para 23,96 milhões, 2,1% acima da área semeada na temporada anterior. A maior parte do ajuste mensal resulta de dois fatores: (i) expectativa de que uma proporção maior da área não ocupada por milho no Sul será convertida em soja; (ii) revisão da área na nova fronteira agrícola (MAPITOBA - constituída por Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia) que deverá crescer 8%. Pontuais, os ajustes para baixo foram observados apenas nos Estados de Goiás e Mato Grosso do Sul, uma vez que o cultivo de cana nestas localidades tem prevalecido cada vez mais em áreas de soja. Na nova temporada que se inicia, o Brasil deverá fazer o menor plantio de milho verão dos últimos anos, pois além dos baixos preços pagos no produto, a irregularidade climática para o próximo ciclo acaba por também influenciar o produtor na hora de plantar. A estimativa de área de milho verão para temporada 2010 ficou em 7,1 milhões de hectares, recuo de 8% em relação à temporada anterior. Para o algodão, que se tornou a vedete da vez, a área prevista pela AgraFNP ficou em 1,07 milhão de hectares, aumento de 28% na comparação a safra anterior.

Na atual temporada, o plantio da safra de soja 2010/11 teve início no Paraná. Com a antecipação das precipitações após um longo período de estiagem e com a opção de efetuar a semeadura de milho no inverno, o estado será um dos que farão incremento na área de soja em detrimento do milho verão. Outro importante estado produtor da região Sul onde os produtores optaram em elevar área plantada com soja foi o Rio Grande do Sul, o qual também diminuirá área de milho. Embora o cereal seja prioritário no estado devido à grande demanda local por parte do setor avícola e suinícola e pela necessidade de rotatividade do solo, a soja mostra vantagens que corroboram o aumento de seu cultivo. 

No Centro-Oeste, região que normalmente marca o início da semeadura de soja no país, este ano o atraso no plantio em relação à última temporada foi inevitável. No ciclo anterior, as chuvas chegaram mais cedo e foram intensas na principal região de grãos do país. No Mato Grosso, o atraso do plantio de soja levou boa parte dos agricultores a limitarem os incrementos na área destinada ao grão, principalmente aqueles que apostam na semeadura soja de ciclo precoce e super-precoce para plantar algodão ou milho a partir da segunda quinzena de janeiro. Só que manter este objetivo se torna mais arriscado à medida que o atraso do início do plantio avança. Por isso, já tem produtor pensando em rever os planos e mudar as estratégias para esta safra. Em Goiás e Mato Grosso do Sul, onde se estima ligeiros recuos na área plantada com soja, a principal responsável foi a cana. Gradativamente as regiões do sudoeste de Goiás e o sul do Mato Grosso do Sul tem ampliado a participação das usinas de cana que chegam a comprar e arrendar áreas de soja a preços bem remuneradores.

Norte-Nordeste
Os altos preços da oleaginosa e as perspectivas climáticas favoráveis, como se costuma verificar em todo o período de La Niña ao contrário das previsões para a porção sul do Brasil, o Oeste Baiano e a região conhecida como MAPITO (Maranhão, Piauí e Tocantins ) devem garantir uma boa safra no ciclo 2010/11 tanto pela produtividade como pelo incremento de área. 

No Oeste Baiano, o cultivo de soja e algodão crescerá sobre áreas de milho, com  a redução sendo influenciada pelas condições pouco atrativas de comercialização do cereal. A soja, que bateu recorde de produção em 2009/10 na região, deve manter as marcas. A expectativa é de que a área plantada com a oleaginosa cresça pouco mais de 8%, ante incremento superior a 26% na região cultivada com algodão no Oeste Baiano. Assim como a soja, a elevação no cultivo de algodão responde pelo aquecimento dos preços doméstico e internacional. Com margens expressivamente maiores, o algodão ficou mais interessante e o produtor aproveitou o bom momento para rever o que pretende semear no próxima temporada. 

A região do MAPITO, conhecida como nova fronteira agrícola, vem cada vez mais se consolidando como um dos principais pólos produtor da oleaginosa. Destaque para os estados do Maranhão e Piauí, que crescerão 5% e 15% respectivamente motivados pelo baixo preço das terras, entrada de novas tradings na região e investimentos cada vez maiores de infra-estrutura local.

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Fonte: AgraFNP

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