China retoma importação de óleo de soja da Argentina

Publicado em 13/10/2010 10:56
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Após sete meses de embargo, a China reabriu suas portas para o óleo de soja argentino, que tem o país asiático como principal comprador. O anúncio foi feito pelo ministro da Agricultura, Julián Domínguez, que confirmou a liberação dos primeiros embarques desde março.

Produtores chegaram a estimar, na ocasião, um prejuízo anualizado de até US$ 2 bilhões com a medida. Aos poucos, a Argentina redirecionou sua produção de óleo de soja para a Índia e para a produção doméstica de biodiesel. O problema é que o preço médio da tonelada diminuiu de US$ 1 mil a US$ 930.

Oficialmente, a China alegou que a Argentina descumpria o limite de hexano na mistura do óleo. O hexano é um químico usado como dissolvente no processo industrial. Nos bastidores, correu a versão, jamais desmentida pelas autoridades chinesas, de que se tratava de uma retaliação pela quantidade de medidas protecionistas, incluindo direitos antidumping e licenças não automáticas, aplicadas contra as mercadorias de origem asiática.

O lobby do governo argentino pela reabertura do mercado chinês atingiu o auge em junho, quando a presidente Cristina Kirchner colocou o assunto no centro da agenda de sua visita oficial a Pequim. Ela saiu de lá, no entanto, sem nenhuma sinalização concreta do colega Hu Jintao. Ao mesmo tempo, Cristina anunciou a intenção de comprar US$ 10 bilhões em material ferroviário da China, com nova linha de crédito bilateral.

Para a consultoria argentina Abeceb.com, a retomada dos embarques de óleo de soja se deve menos a um êxito da diplomacia e mais às necessidades da própria China, que não encontrou outro fornecedor para substituir a Argentina. Em relatório distribuído ontem, a Abeceb.com lembra que o mundo todo exporta 12 milhões de toneladas de óleo de soja por ano, dos quais metade correspondem ao excedente da demanda interna argentina. Antes da restrição, o país sul-americano abastecia 77% das importações chinesas.

Para a consultoria, a capacidade exportadora da Argentina "é fruto de que nosso país abarca 18% da produção total do planeta e produz com um dos custos mais baixos". "Embora os Estados Unidos sejam o principal produtor mundial, seu consumo interno não permite maiores exportações. A Argentina só consome 7% do óleo de soja que produz. O restante é exportado", informa o relatório da Abeceb.
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Fonte: Valor Econômico

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