Paraná tira o atraso, mas plantio segue atrasado em MT

Publicado em 19/10/2010 08:28
324 exibições
Depois de mais de trinta dias de atraso, o plantio da safra 2010/11 ainda não deslanchou em Mato Grosso. Com chuvas regulares previstas apenas para novembro, o estado pode não conseguir semear todos os 6,24 milhões de hectares previstos para a cultura neste ano. Até a semana passada, menos de 500 mil hectares, ou 6,7% do total, haviam sido plantados. A evolução dos trabalhos de campo corre muito atrás do registrado há um ano, quando o plantio foi antecipado e já alcançava 22,4% da área em meados de outubro.

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Apro­soja) estima que o atraso na implementação da safra fará a soja perder ao menos 100 mil hectares no estado, o equivalente a 300 mil toneladas, e pode comprometer também o planejamento da segunda safra. Se não conseguir plantar a soja logo, o produtor pode ficar sem tempo para a safrinha de milho e algodão.

Levantamento do Instituto Ma­­to­­grossense de Economia Agro­pe­­cuá­­ria (Imea) mostra que, em regiões onde as máquinas já deveriam ter passado por mais de um quarto das lavouras, menos de 10% da safra foram implementados. É o caso do Médio-Norte, que concentra municípios como Sorriso e Lucas do Rio Verde, onde apenas 8,6% da área foram cultivados, contra 28,5% nesta mesma época de 2009.

E o atraso deve se intensificar ainda mais nas próximas semanas. Segundo o Instituto Somar, não há previsão de chuva de volume para o estado até o final do mês. A partir de novembro, contudo, as precipitações voltam a ficar regulares e a safra deve se desenvolver sem maiores problemas em Mato Grosso.

Roteiro inverso deve seguir a sa­­fra sulista. Após um início lento, o plantio avança sem grandes dificuldades na Região Sul. No Paraná, as plantadeiras venceram o atraso inicial e o plantio já ultrapassa com fol­­ga o índice de um ano atrás. Até a semana passada, 17% dos 4,49 mi­­lhões de hectares previstos para soja haviam sido semeados. Em 2009, na mesma época, 9% da oleaginosa paranaense estava no campo.

O retorno das chuvas ao estado depois de dois meses de estiagem favoreceu os trabalhos de campo, que evoluíram 16 pontos porcentuais em duas semanas. No início do mês, os produtores paranaenses haviam semeado apenas 1% da área prevista para a oleaginosa. As precipitações que caíram sobre o estado nos últimos quinze dias acumularam em média 50 mm.

Clima

Na Região Sul, diferente do Centro-Oeste brasileiro, a influência do fenômeno La Niña sobre o regime de chuvas é maior durante o verão. As passagens das frentes frias são mais rápidas, com diminuição das chuvas e temperaturas ligeiramente abaixo da média, explica Paulo Henrique Caramori, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Segundo o instituto, há 20% de probabilidade que as chuvas ocorram acima da média, 35% próximas à média e 45% abaixo da média, até dezembro.
Tags:
Fonte: Gazeta do Povo

Nenhum comentário