Quem quiser saber a tendência da soja deve olhar para o milho

Publicado em 19/10/2010 09:34 e atualizado em 19/10/2010 10:40
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Para Fernando Muraro Jr, da AgRural, os estoques dos EUA, país que mais planta, colhe e exporta milho no mundo, estão em níveis de risco de desabastecimento.
Em seu relatório de oferta e demanda deste mês, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos fez alterações importantes nos quadros de soja e de milho norte-americanos da safra 2010/11. Motivo: a produção tanto de uma como do outro são menores do que se previa.

Essas modificações, que já fizeram as cotações atingir os maiores valores desde 2008, ainda devem gerar bons frutos, em forma de preço sem caroço, em 2011.

Afinal, safras menores demoram a ser digeridas pelo mercado.

No caso da soja, o que reduziu a produção dos 94,8 milhões de toneladas previstos em setembro para os atuais 92,8 milhões foi a queda de 500 mil hectares na área plantada.

A área cultivada caiu de 31,9 milhões de hectares estimados no mês passado para 31,4 milhões neste -curiosamente, a mesma superfície ocupada na safra anterior.

A questão agora é a produtividade. Embora tenha sofrido pequena redução na comparação com a previsão de setembro (passou de 50,1 para 49,8 sacas por hectare), ela ainda é a maior da história dos EUA. Será mesmo?

Essa é a pergunta que não quer calar neste momento em que as colheitadeiras caminham para a parte final dos trabalhos, gerando relatos de produtividade que apontam para uma produção menor.

O maior problema, porém, está no milho. Embora esta coluna seja sobre soja, daqui para a frente será inevitável traçar mais comentários sobre o cereal.

Afinal, os estoques dos EUA, país que mais planta, colhe e exporta milho no mundo, estão em níveis de risco de desabastecimento.

De acordo com o Usda, embora a área cultivada tenha sido a segunda maior da história, com 35,7 milhões de hectares, a safra de milho deste ano deve ser de 321,7 milhões de toneladas, contra 333 milhões do ano passado.

Isso porque a produtividade, de 163 sacas por hectare, é quase dez sacas menor que a do ano passado.

Como esses números ainda não são definitivos, a relação estoque-consumo do cereal, calculada atualmente em apenas 6,7%, pode ser ainda menor.

Se isso acontecer, os norte-americanos terão obrigatoriamente de fazer racionamento de consumo.

Com a situação de abastecimento tão dramática como essa, no ano que vem os produtores dos Estados Unidos terão de plantar muito mais milho -algo entre 2 milhões e 3 milhões de hectares- para deixar a situação mais tranquila.

Como o Meio-Oeste não tem mais espaço para novas áreas, aumento no plantio de milho significa redução no de soja. O cobertor é curto.

Com área menor, o quadro de suprimento de soja poderá ficar muito mais delicado em 2011. Essa briga por área, porém, ainda está longe de uma definição, pois é o preço dos dois produtos que resolverá quem terá mais espaço.

Sendo assim, quem quiser saber a tendência dos preços da soja em 2011 terá de olhar para o milho.
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Fonte: Folha de São Paulo

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