Com atraso na safra do Brasil, China foca soja dos EUA

Publicado em 25/10/2010 16:07
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O atraso das chuvas no Centro-Oeste do Brasil, principal região produtora de soja do país, não sinaliza uma colheita menor, mas uma demora para o produto da nova safra chegar ao mercado está praticamente garantida, deixando compradores como a China dependentes da oferta da oleaginosa dos Estados Unidos até abril.

Na verdade, a China já é ativa compradora da soja dos Estados Unidos para entrega no começo do próximo ano, precavendo-se do atraso para o produto brasileiro chegar aos portos em meio a condições climáticas desfavoráveis e eventuais problemas com infraestrutura.

Em 2009, graças ao El Niño, as chuvas chegaram bem mais cedo e foram intensas no Mato Grosso, principal Estado produtor de soja do país, e com isso os produtores colheram em dezembro. Mas nesta temporada há o outro lado da moeda do clima, o fenômeno La Niña, e com ele a tendência de redução e atraso das chuvas no Brasil.

"Temos visto a China reservando navios para os portos do golfo em março, abril, maio, o que para nós é incomum", disse Michael Cordonnier, agrônomo do Soybean and Corn Advisor em Hinsdale, Illinóis.

Essa movimentação pode estar por trás da máxima de dois meses registrada nas exportações de soja dos EUA na última semana, com o volume quase dobrando em relação a semana anterior em meio a intensas vendas para a China, maior importador mundial da oleaginosa, disseram operadores.

A China precisa comprar pelo menos 1 milhão de toneladas no mercado global toda semana para corresponder às expectativas de importação.

Produtores no Brasil têm evitado vender grãos com entrega prematura no próximo ano, quando a nova safra, se antecipada, geralmente começa seguir para os portos.

Um operador disse que seus próprios embarques pelo porto de Paranaguá, segundo mais importante do país, já estão 50% abaixo do registrado no último ano.

"Uma coisa é certa: o atraso da oferta de soja para processadoras e portos para a temporada 2011", disse Kory Melby, um produtor norte-americano que mudou-se para o cinturão de grãos do Centro-Oeste do Brasil há uma década. "Será um lento começo para a temporada de exportação."

Os atrasos do plantio no Centro-Oeste, especialmente no Mato Grosso, ajudaram a estimular a alta dos futuros da soja em Chicago para o maior nível em 14 meses na semana passada.

O Mato Grosso é tradicionalmente o primeiro a começar o plantio, mas o La Niña atrasou a chegada das chuvas de primavera em quase um mês. Produtores no Estado são sempre os primeiros a colher, mas isso parece menos provável este ano.

RISCOS DE LOGÍSTICA

As estradas e portos do país sofrem há décadas com o baixo investimento. A colheita tardia de grãos em meio a um frágil sistema de transporte aumenta o risco de falhas em alguns lugares.

Glauber Silveira, diretor da Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja) no Mato Grosso, disse que a safra da oleaginosa pode ser plantada no Estado no final de novembro sem perdas para a produtividade.

Mas a colheita será concentrada, o que pode criar problemas de logística.

"A China não pode assumir o risco de ficar presa em entregas da América do Sul...", disse Cordonnier, comentando eventuais problemas na logística, em função da concentração de colheita.

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Fonte: Reuters

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