Soja: Cenário para 2011 é desafiador?

Publicado em 18/01/2011 08:59 1807 exibições
2010 foi. 2011 inicia e o mercado de soja permanece com grandes questionamentos. Qual será o fim deste quadro?

A poucos dias o USDA reportou o tão “imaculado” relatório mensal de oferta e demanda do mês de janeiro. Diferentemente dos relatórios anteriores (exceto em dezembro), o USDA não trouxera surpresas bombásticas, porém confirmara veementemente um quadro de oferta e demanda extremamente ajustado para a oleaginosa nos EUA e uma deterioração, embora ainda gradual, do quadro de oferta e demanda global. Em tese, nada de novo a um mercado que já encontra-se em patamares historicamente elevados. Referencialmente, os estoques norte-americanos de soja apresentam-se no patamar mais baixo da história, suficientes para apenas 15 dias de consumo, sim apenas duas semanas. Na prática o cenário resultara de uma demanda externa extremamente aquecida associada a uma antecipação do fluxo de compras especialmente por parte da China buscando “cobertura” frente ao maior risco climático para com a safra sul-americana combinado a produtividade aquém do esperado no EUA.

Com preços elevados, projeta-se a melhora das margens de produção e, naturalmente um aumento na área de cultivo tendendo a um re-equilíbrio do quadro na próxima temporada. A problemática porém, demonstra-se mais séria do que inicialmente possa-se inferir pelo fato de que similarmente ao mercado de soja, culturas diretamente concorrentes por área como o milho e algodão configuram cenários de oferta e demanda extremamente ajustados. Ou seja, não há espaço para a perda de área de cultivo, pelo contrário é necessário expandi-las o máximo de forma que o cenário ao menos estabilize na próxima temporada. Efetivamente, as rentabilidades auferidas neste momento tendem a realocar áreas marginais (afinal de contas a área de cultivo das 20 principais culturas nos EUA recuaram 8 mi. acres ante o pico em 2008 e 2010), porém mesmo que isso confirme-se estas tendem a demonstrar-se insuficientes para solucionar o problema de todas as culturas em consonância, ou seja, não será fácil fechar a conta. Além da já conhecida e venerada briga por área nos EUA origina-se, às sombras deste cenário fatalmente ajustado, a pressão climática para um bom desenvolvimento das lavouras nos EUA. O “weather market” promete (ao menos boas vendas aos serviços de meteorologia).

Evidentemente uma colheita menor na América do Sul, apenas magnífica a preocupação pela expectativa de que o comportamento da demanda tenderia a uma agressividade ainda maior nos EUA. Neste momento as incertezas concentram-se na Argentina em que áreas não foram semeadas e as implantadas sofrem com a escassez de umidade resultando em um stand inicial aquém do desejável em pelo menos 1/4 das lavouras do Pampa Úmido. Modelos indicam a possibilidade de chuvas nos próximos dias, porém com a manutenção da irregularidade no volume e distribuição, algumas áreas continuarão referenciando umidade abaixo do ideal. No Brasil, por sua vez, as condições podem ser consideradas favoráveis neste momento sobre a maior parte das regiões produtoras, confirmando a expectativa de uma grande safra com a colheita já iniciada no MT. No que tange a colheita, as atenções voltam-se aos modelos sinalizando a continuidade das precipitações em volumes significativos nas próximas semanas, o que tenderia a prejudicar os trabalhos, além de dificultar o escoamento pelo precário sistema logístico brasileiro.

Enquanto isso, além do quadro fundamental intrínseco ao mercado da soja, 2011 inicia com a intensificação da percepção inflacionária, já que mesmo com a adoção de políticas contracionistas em emergentes o consumo alimentar evidencia continua solidez nestas nações (este processo demonstra características estruturais amplas, já referenciadas neste espaço), além de pressões também no mundo desenvolvido decorrente do excesso de liquidez/baixas taxas de juros. Embora um pouco tarde para referenciar inflação no meu ver (afinal de contas o que foi 2010 então?), este quadro mantém a presença do fluxo especulativo para o mercado de commodities como forma de proteção.

Em meio a esta configuração o mais coerente é permanecer altista?!?! Neste momento não há grandes dificuldades em trabalhar, na ausência de choques extremos associados a fatores externos (macroeconômicos), com a expectativa de preços sustentados a frente com picos de volatilidade sazonais referenciando preços naturalmente superiores aos atuais.

Para finalizar, apenas uma metáfora: canoa em que todo mundo esta do mesmo lado, quando vira traz problemas a muitos. Esteja atento aos riscos e a vulnerabilidade associada aos mercados de commodities dada a elevada posição comprada de fundos e instabilidades econômicas especialmente na Europa. Fatalmente este aspecto não pode ser menosprezado. Mesmo assim, eventuais realizações tendem a continuar essencialmente limitas principalmente até o “encaminhamento” da safra norte-americana.

Boa semana e bons negócios.

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Por:
Ricardo Lorenzet
Fonte:
Agroblog

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