Na Reuters: Sojicultor brasileiro vê câmbio pressionar mercado

Publicado em 28/10/2011 14:46 e atualizado em 28/10/2011 17:10 386 exibições
Com o dólar oscilando em patamares inferiores a R$ 1,7, nível não visto desde o início de setembro, produtores de soja do Brasil recuaram nas vendas, apostando eventualmente em uma recuperação maior nos preços da bolsa de Chicago para compensar as perdas cambiais na formação das cotações no mercado interno.

Os produtores esperam que o mesmo otimismo com o encaminhamento de uma solução para a crise da dívida da União Europeia, que enfraqueceu o dólar internacionalmente e também no Brasil, possa elevar novamente os futuros e voltar a dar fôlego aos negócios no físico, segundo fontes do mercado.

"Continuam com poucas ofertas, porque Chicago caiu das máximas e o produtor acaba não cedendo muito o preço, e mesmo quando ele vê Chicago mais firme, ele acaba segurando", disse a corretora Andrea Cordeiro, da Labhoro, no Paraná, ao comentar os recentes movimentos do mercado.

Antes de a turbulência financeira abater os futuros e da intensificação da colheita nos Estados Unidos, que caminha para o final, a soja foi cotada acima de US$ 14 por bushel no início de setembro, e durante o pico da crise no mês passado, a cotação chegou a superar US$ 1,90.

Depois os futuros passaram a cair e atualmente estão em torno de US$ 12,2, uma queda que chegou a ser compensada em alguns momentos pelo dolar mais forte, o que não é o caso agora. Na quinta-feira, afirmou a corretora, foram registradas poucas ofertas de venda no mercado brasileiro e ainda assim estavam "muito distantes" do que compradores queriam pagar.

"Os fortes ganhos contabilizados em Chicago (na quinta-feira) foram, em grande parte, podados pelas acentuadas quedas na taxa cambial. Em consequência, as comercializações do grão que já estavam pulverizadas, travaram-se", concordou a consultoria Informa Economics FNP em relatório.

O agricultor já vendeu grande parte da safra velha e agora os negócios antecipados para a nova temporada são o foco dos produtores, que neste momento não se sentem atraídos a participar do mercado. Segundo levantamento da consultoria Céleres, produtores tinham vendido 30% da produção da nova safra até a semana passada, contra 25% na mesma época de 2010.

Clima na América do Sul
Os preços em Chicago podem ganhar sustentação em decorrência da recuperação da confiança dos investidores, mas também com eventuais problemas nas safra sul-americana, num ano em que o fenômeno climático La Niña volta a atuar.

"A retomada da confiança traz investimentos ao Brasil e tende a afetar a taxa de câmbio. Se ficou bom para investir no Brasil, ficou bom para colocar dinheiro novamente em commodities nos Estados Unidos", comentou o analista da Céleres Leonardo Menezes, em entrevista na quinta-feira.

"Ao mesmo tempo que a gente perde um pouco em taxa de câmbio, a gente vai ganhar lá fora por causa da alta em Chicago", acrescentou. Menezes, que lembrou que os prêmios de exportação nos portos continuam firmes, sinalizando boa demanda, disse que as atenções do mercado global agora vão se voltar para a América do Sul, com o plantio em desenvolvimento.

"O financeiro estava se sobressaindo sobre oferta e demanda, sobre a questão da quebra de safra nos Estados Unidos. Agora, com o efeito La Niña na América do Sul, com um cenário melhor do ponto de vista financeiro, creio que o mercado vai dar mais atenção à América do Sul."

Segundo o analista, algum problema de safra do Brasil, segundo produtor global após os EUA, poderá elevar novamente o mercado para US$ 14. De qualquer forma, a resposta sobre a intensidade do La Niña, que normalmente provoca seca no Sul, só poderá ser dada em janeiro, quando as lavouras estarão em período de floração e enchimento de grãos.

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Fonte:
Reuters

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