Dieta para percevejos auxilia no controle de pragas da soja

Publicado em 02/12/2011 06:56 525 exibições
Pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, desenvolveram uma dieta artificial liofilizada para criação do percevejo-marrom, Euschistus heros, que permite a sua multiplicação por gerações sucessivas, sem perda de sua qualidade de material de campo (“selvagem”), sendo competitivo com os insetos da natureza.

Trata-se de uma dieta artificial seca, feita à base de vagem de feijão liofilizada, amendoim, sacarose, agentes anticontaminantes e água, com 25,7% de proteína. “Acreditamos que agora, com a nova dieta, será possível a criação dos inimigos naturais Telenomus podisi eTrissolcus basalis. Após a sua criação, será feita a multiplicação em grande escala para liberá-los no campo, pois a tecnologia já existe e os percevejos constituem-se em problema sério para os 24 milhões de hectares de soja plantados no Brasil”, lembra Agustín Cerna Mendoza, da equipe de pesquisadores do Departamento de Entomologia e Acarologia (LEA).

Manejo Integrado de Pragas

A importância do desenvolvimento da dieta artificial na Esalq é ainda mais relevante, pois o principal inseticida utilizado para controlar os percevejos no campo, o endosulfan, foi proibido de ser produzido e deverá ser retirado do mercado em 2013. Mesmo assim, a dieta não será repassada de imediato ao produtor rural, pois sua utilização para a produção do hospedeiro e parasitoides em quantidades comerciais, deverá ser de responsabilidade de empresas, privadas ou públicas, ligadas ao setor. “Mesmo assim, para que a tecnologia efetivamente chegue ao produtor, deve-se ajustar a escala de produção passando de uma escala pequena (laboratório) para produções maiores (comerciais), o que envolve pesquisas complementares, padronizando-se esse processo e a qualidade de produção do hospedeiro e dos parasitoides, para que posteriormente sejam realizadas as liberações dos mesmos, oferecendo-se assim uma tecnologia sustentável e eficiente ao produtor rural”, frisa Mendonza.

A descoberta dos pesquisadores do LEA permitirá o ressurgimento do Manejo Integrado de Pragas (MIP) na cultura da soja. “Ao lado de Baculovirus anticarsiapara controlar a lagarta-da-soja; Trichogramma pretiosum para controlar a lagarta-falsa-medideira e a lagarta-da-soja, será possível utilizar os parasitoides citados para controlar os percevejos-da-soja, segundo grupo de importância na cultura”, conclui o pesquisador.

Soja no Brasil

O Brasil possui 24 milhões de hectares destinados à produção de soja, ou seja, três vezes a área nacional de cana-de-açúcar. Na pauta de exportações, que dá o saldo positivo na balança comercial brasileira, em primeiro lugar aparece o minério de ferro e, em seguida, destaca-se a soja. “Antes do minério de ferro crescer, a soja era a primeira. O valor varia de 12 a 16 bilhões de dólares, que entram no Brasil com a exportação do grão e do farelo de soja”, analisa Gil Miguel de Sousa Câmara, professor do Departamento de Produção Vegetal (LPV) da Esalq. No entanto, a vastidão de terras destinadas a esse cultivo enfrenta um vilão de proporções minúsculas: os percevejos.

Os percevejos-da-soja representam o principal grupo de pragas da cultura, ao lado das lagartas que têm aumentado nos últimos anos devido à aplicação indiscriminada de inseticidas. O LEA tem trabalhado com o controle biológico dessas lagartas (lagarta-da-soja e falsa-medideira) e, mais recentemente, em 2010, uma tese de doutorado, desenvolvida por Regiane Freitas Bueno, foi agraciada com o prêmio Agroambiental Monsanto.

Entretanto, o combate aos percevejos esbarra no desafio de produzir inimigos naturais (parasitoides) em laboratório. “Eles existem, são eficientes, mas não são produzidos em número suficiente para liberação no campo, pois para produção dos parasitoides, há necessidade de se criarem os percevejos em laboratório, para se obterem os ovos que são os substratos de multiplicação dos inimigos naturais”, explica José Roberto Postali Parra, professor do LEA. Parra reforça que no programa desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desde a década de 1980, pela pesquisadora Beatriz Corrêa Ferreira, a produção sempre esbarrou na criação dos percevejos, pois, após serem coletados no campo, degeneram em três a quatro gerações nas dietas atualmente utilizadas.

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AI Esalq

1 comentário

  • José Alvesde Almeida Vilhena - RO

    meus parabens pra estes pequisadores destes novos produtos que estão lançando no mercado,já que e proibido o endosulfan esta parasitoides vai ser a solução dos protutores brasileiros.porque os protutores são os mais projidicado a este respeito do agrotóxicos nos manejos de pragas / um abraço pra todos, meu nome e José Alves . do Municipio de Vilhena estado de Rondonia

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