Petróleo subindo com China e clima derrubando a cana ajudam açúcar e etanol

Publicado em 15/01/2019 17:54 e atualizado em 16/01/2019 16:28
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Açúcar saiu para cima dos 13 c/lp, depois de muitas semanas

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A reação do petróleo com a arejada que a China trouxe aos mercados nesta terça (15), prometendo desacelerar a desaceleração da sua economia, em dupla com a permanência de sol e calor sobre a cana no Centro-Sul brasileiro, tiraram da UTI o açúcar em Nova York (ICE Futures) e mantiveram a competitividade do etanol.

Pode-se considerar também que o Isma, organismo indiano das usinas, ajudou um pouco no suporte aos preços do açúcar devendo anunciar possível produção menor, enquanto que o dólar mais alto (igualmente pelo bom humor mundial) também reforça o etanol jogando mais preço na importação do petróleo em alta.

Março na ICE subiu fortes 41 pontos e o contrato rompeu - e bem - os 13 c/lp, fechando em 13.16. Depois de semanas perseguindo a marca, mas sempre sem nunca ameaçá-la diretamente, mesmo com a implementação do corte diário de 1,2 milhão de barris/dia pelos países produtores desde 1º de janeiro, a sessão de hoje pode marcar definitivamente, para alguns, o pulo para até 15 c/lp.

Cana prejudicada

Teria que haver muita sustentação, agora mais ainda pela continuidade da seca nas principais regiões, e uma previsão mais firme sobre as perdas para a safra 19/20. O Notícias Agrícolas está confirmando com várias regiões que deverá haver uma quebra, mesmo que as chuvas retornem e com boa disposição, mas com confirmações quantitativas ainda sem serem investigadas.

"É a confirmação dessa condição climática que poderá dar sustentação", diz Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado. Ele não arrisca os 15 c/lp para março como o fez Eduardo Sia, da Sucden do Brasil.

Há dúvidas quanto à retirada do açúcar do mercado que poderá vir da Índia. Até agora tem prevalecido o superávit de 4 a 5 milhões de toneladas do USDA, o que elevaria o mundo a 9 milhões de toneladas. O Isma deverá anunciar produção da Índia em 30 milhões e "mesmo acertando, mais uma perde de 2 milhões de toneladas do Brasil, ainda asim o superávit mundial fica em 3 milhões de toneladas", argumenta Muruci.

Se for levado ainda em conta a falta de apetite mundial pela commodity, com consumo menor e altos estoques (o USDA já deu em 52 milhões de toneladas), joga-se mais 1,5 a 2 milhões de toneladas.

Petróleo e seca

Outros, como Eduardo Sia, a Datagro e mais alguns analistas fazem outra conta, alinhando menor disponibilidade de açúcar da Tailândia e da Europa, que vai para mais trigo do que beterraba açucareira. Há até um muito improvável déficit mundial na média dessas opiniões.

Em todo caso, a expectativa da indústria indiana, que não é lá das mais confiáveis, ao menos ajuda a segurar o açúcar num degrau acima.

Seja a bússola que vai nortear esse mercado, além da seca ao menos está garantido nos próximos dias igualmente a manutenção do petróleo em alta - hoje subiu 2,41%, com o brent  a US$ 60,39 - caso a China confirme os estímulos à produção (menos impostos, mais gastos públicos em obras e mais crédito), sem novos episódios complicadores na disputa comercial com os Estados Unidos. E sustenta o açúcar.

No Brasil, o etanol havia perdido a premiação sobre o açúcar convertendo o preço na usina em c/lp de março da ICE. Agora, mantido o brent e a Petrobras revertendo para a gasolina, o que deverá ocorrer, ajuda o consumo e assegura um mix alcooleiro de 80% na safra vindoura.

Por Giovanni Lorenzon
Fonte Notícias Agrícolas

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