Cogeração no Brasil alcança patamar de 19,71 GW

Publicado em 15/03/2022 16:55
Capacidade instalada da cogeração em operação comercial no Brasil representa 10,8% da matriz elétrica (182,4 GW)

A cogeração em operação comercial no Brasil tem um incremento de 134,8 MW. A adição é decorrente da entrada em operação da nova usina da Klabin em Ortigueira, no Paraná, movida a licor negro – um subproduto do processo de tratamento químico da indústria de papel e celulose. As informações são compiladas pela Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen).

No País, a cogeração já conta com 635 usinas, totalizando 19,57 GW de capacidade instalada — o que corresponde a 10,8% matriz elétrica brasileira (182,4 GW). Isso equivale a 1,4 vezes o total da capacidade instalada da usina hidrelétrica de Itaipu.

A produção de energia movida a bagaço de cana-de-açúcar conta com 11.941MW instalados, representando 60,6% do total. Em segundo está o licor negro, com 3.205 MW instalados (16,3%), enquanto a cogeração a gás natural tem 3.152 MW instalados (16%). A cogeração derivada de cavaco de madeira chega a 846 MW instalados (0,8%) e a produzida com biogás detém 369 MW instalados (0,4%). Outras fontes somam 193 MW instalados e completam o quadro (0,2%).

Somente para o ano de 2022, a projeção é de entrada em operação comercial de 807,18 MW em 22 usinas, incluindo a Usina Puma II da Klabin (134,8 MW).

“A cogeração de energia é uma energia de enorme importância para o País. É resiliente, eficiente e distribuída, com produção próxima dos pontos de carga. Na Cogen, entendemos que a cogeração possa ser mais bem incentivada. Estamos trabalhando em tratativas com os órgãos competentes para que as distribuidoras de energia possam realizar chamadas públicas e contratar até 10% de sua carga de energia a partir da cogeração. Desse modo, poderão reforçar sua oferta e proporcionar uma energia de maior qualidade para os consumidores”, explica o presidente executivo da Cogen, Newton Duarte.

“Entendemos que a cogeração a biomassas, em particular, tem uma série de atributos que poderiam ser mais bem reconhecidos no planejamento energético do País -- é competitiva, renovável e distribuída – sendo gerada perto dos principais pontos de consumo – e tem potência, o que é fundamental para uma matriz mais equilibrada”, destaca Duarte.

De acordo com o diretor de Tecnologia e Regulação da Cogen, Leonardo Caio Filho, a cogeração a biomassas tem sido fundamental para a segurança energética do País. “A cogeração ajuda a poupar 14 pontos percentuais do nível dos reservatórios das hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, que representa o principal mercado consumidor do País. E um dos principais atributos da cogeração é justamente o fato de que o período de maior produção das usinas de açúcar e etanol ocorre na safra entre os meses de abril e novembro, exatamente no período seco.”

No ranking por unidades da federação de cogeração por biomassa, o Estado de São Paulo lidera a lista com 7,4 GW instalados. Em segundo está o Mato Grosso do Sul, com 1,9 MW instalados. Na sequência vêm Minas Gerais (1,7 GW instalados), Goiás (1,4 GW instalados) e Rio de Janeiro (1,3 GW instalados).

Entre os cinco setores industriais que mais usam a cogeração estão o Sucroenergético (11.964 MW), Papel e Celulose (3.059 MW), Petroquímico (2.305 MW), Madeireiro (799 MW) e Alimentos e Bebidas (624 MW).

Fonte: Cogen

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