hEDGEpoint reduz ‘mix’ de cana para açúcar no centro-sul em 22/23: 1,1 mi t a menos

Publicado em 14/04/2022 09:15

SÃO PAULO (Reuters) – A nova safra de cana do centro-sul do Brasil (2022/23), iniciada neste mês, será uma das menos açucareiras dos últimos anos, com usinas privilegiando o etanol, disse nesta quarta-feira a hEDGEpoint Global Markets, que reduziu a previsão para o “mix” da matéria-prima destinada ao açúcar para 42,8%.

A expectativa anterior era de que o açúcar demandasse uma fatia de 44,5% da cana processada em 22/23 (ante 45% na safra anterior), mas os bons preços do etanol para as usinas e uma recuperação na paridade com o combustível concorrente, a gasolina, devem levar o setor a destinar mais cana para a produção do biocombustível.

Segundo a empresa de gestão de risco e hedge de commodities agrícolas e energéticas, a redução do “mix” representa 1,1 milhão de toneladas a menos de açúcar produzido no centro-sul do Brasil.

Com isso, a fabricação de açúcar foi revisada para 31,4 milhões de toneladas, queda de 2,2% ante o ciclo anterior, e a menor produção desde 2019/20 (26,8 milhões de toneladas).

“Embora algumas notícias sobre o final de safra do Hemisfério Norte tenham sido baixistas (para o açúcar)– resultados da Índia, Tailândia e Paquistão, por exemplo– a incerteza do mercado quanto à disponibilidade do açúcar brasileiro se destacou”, disseram analistas da hEDGEpoint.

A produção de açúcar maior do Hemisfério Norte reduz o impacto da queda no Brasil, mas ainda assim a empresa de análises vê um cenário global apertado para 2021/22 (outubro/setembro) e 2022/23, com déficits de 0,9 milhão e 0,5 milhão de toneladas, respectivamente.

De outro lado, com mais oferta de cana para o etanol, a estimativa de produção do combustível hidratado em 2022/23 (abril/março) no centro-sul foi elevada para 17,7 bilhões de litros, quase 1 bilhão de litros acima da previsão anterior e com um crescimento de 3,4 bilhões de litros ante a safra passada.

Com a produção de hidratado crescendo, a de etanol anidro (misturado à gasolina) tende a cair para 8,2 bilhões de litros em 2022/23 no centro-sul, versus 9,9 bilhões em 2021/22.

(Por Roberto Samora)

Fonte: Reuters

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