Alta das commodities puxa vendas do Brasil aos árabes

Publicado em 04/05/2022 11:25
Exportações brasileiras à Liga Árabe avançam 33% no primeiro trimestre

As exportações brasileiras para os 22 países da Liga Árabe fecharam o primeiro trimestre com alta de 33,58%, em US$ 3,86 bilhões, segundo relatório da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

O desempenho foi motivado por investimentos árabes para a transição de suas economias para a era pós-petróleo e pela valorização recente das commodities, intensificada pela invasão da Rússia à Ucrânia, que restringiu a participação desses países no mercado internacional de grãos e fertilizantes, além de ter encarecido fluxos logísticos.

O aumento nas vendas brasileiras aos árabes, cuja pauta é liderada por commodities minerais e alimentares, também é reflexo do movimento desses países dependentes em alguma medida de alimentos importados para reforçar os próprios estoques e assegurar a oferta nos próximos meses, segundo avalia o presidente da Câmara Árabe, Osmar Chohfi.

Tirando o minério de ferro, que liderou a pauta de exportação nos três primeiros meses do ano (US$ 690,29 milhões, -12,5%), os demais produtos da lista são do agronegócio. Esses produtos registraram avanço, especialmente a carne de frango (US$ 591,09 mi, +10,66%), açúcar (US$ 588,8 mi, +19,79%), derivados de soja (US$ 318,02 mi, +122,84%), trigo (US$ 285,86 mi, +438,06%), milho (US$ 269,6 mi, +27,21%) e carne bovina congelada (US$ 267,57, milhões, +165,73%). “Esse movimento de reforço de estoques não se restringe aos árabes, dado que as exportações brasileiras para o mundo cresceram 26,8% no período, somando US$ 72,3 bilhões”, pontua o dirigente.

Ainda de acordo com o relatório da entidade, o apetite dos árabes segue em alta pela retomada econômica local, alavancada pela vacinação precoce contra a covid-19 e pelo anúncio de novos investimentos para diminuir a dependência econômica do petróleo. Entre os investimentos, a entidade destacou o recém-anunciado aporte de US$ 152 bilhões do Fundo de Desenvolvimento Nacional da Arábia Saudita para triplicar até 2030 a atual participação dos setores não-petrolíferos no Produto Interno Bruto (PIB) saudita, que vem impulsionando a economia local.

A alta do petróleo no período também beneficiou países árabes exportadores de combustível fóssil, que em março atingiu seu maior patamar desde 2008: US$ 130 o barril do tipo brent. Outro fator é a retomada do turismo de stop-over nos Emirados Árabes, o religioso na Arábia Saudita e o histórico na Jordânia. Só no país do Levante, a receita com atividade cresceu 196,5% nos dois primeiros meses do ano. O setor deve seguir em alta com a perspectiva da Copa do Mundo do Catar, a partir de novembro, que deve levar milhares de pessoas a diferentes países do Golfo.

Apesar dos bons resultados e perspectivas, a Câmara Árabe manifestou no documento preocupação com um possível impacto na safra 2022/23 decorrente da menor oferta de fertilizantes da Rússia e Belarus. A entidade vem promovendo esforços para estimular a aquisição desses produtos de países árabes para compensar em parte a menor oferta russa e bielorussa, o que vem dando certo. No acumulado de janeiro a março, os árabes ampliaram a venda de fertilizantes ao Brasil em 44,5%, para US$ 773,52 milhões.

A entidade também vê como ponto de atenção a seca no Rio Grande do Sul, que deve provocar algum prejuízo na safrinha (colheita de inverno), com potencial de se estender para o cultivo seguinte.

Para baixar o relatório e os dados de comércio completos, clique aqui.

Fonte: Câmara de Comércio Árabe-Brasilei

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Açúcar reage nas bolsas após projeção de déficit global saltar para 6,3 milhões de toneladas
Conferência Internacional DATAGRO reúne líderes do setor para debater futuro do açúcar, etanol e biocombustíveis
Brasil pode responder por 73% das exportações globais de açúcar bruto e ampliar protagonismo em 2027
Com expectativa de mix mais alcooleiro, moagem da safra de cana 2026-2027 do Norte-Nordeste atinge 16,7% do previsto
Déficit no mercado global de açúcar deve crescer acentuadamente, diz analista
Açúcar/Cepea: Menor oferta e alta externa impulsionam preços do cristal