Brasil avança em crédito de carbono, mas ainda penaliza produtor de cana, diz Feplana

Publicado em 30/05/2022 09:23
Depois do pioneirismo do RenovaBio onde criou o Crédito de Descarbonização (CBios) para produtores de etanol, o governo brasileiro editou, na última semana, decreto que cria e permitirá a exportação do crédito de carbono oriundos das suas matrizes energéticas limpas. Mas, apesar do avanço reconhecido pela Feplana durante reunião da FPA ontem (24), em Brasília, a entidade continua na cobrança da inclusão dos produtores de biomassa dos biocombustíveis no RenovaBio/CBios

Os Planos Setoriais de Mitigação das Mudanças Climáticas e a criação do Sistema Nacional de Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa devem avançar no Brasil depois da publicação do Decreto Federal 11.075, na quinta-feira (19). A partir dele, cria-se o mais moderno e inovador mercado regulado de carbono, com foco em exportação de créditos, para países e empresas que precisam compensar emissões para cumprir com seus compromissos de neutralidade de carbono. O assunto foi objeto da reunião do ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, com membros da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e entidades rurais, como a Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana).

A Feplana vê com grande otimismo o avanço nas legislações ambientais. Mas, por outro lado, preocupa-se com o que está acontecendo com o CBios, um mercado de carbono já estabelecido no Brasil, sendo comercializado em bolsa de valores, na B3. "Até o momento, os fornecedores de cana, mesmo sendo responsáveis pela biomassa para a produção de etanol pelas usinas, não participam desse mercado", critica Paulo Leal, presidente da Feplana. 

O dirigente espera que com a criação de mais uma regulamentação relevante no quesito de crédito de carbono do Brasil, possa ser resolvida a situação de mais de 60 mil famílias brasileiras que produzem e entregam a cana-de-açúcar para a unidade industrial transformá-la em etanol e assim se creditar em CBios. "O mercado de carbono é instrumento de preservação ambiental, mas os produtores de biomassa para os biocombustíveis têm que participar ativamente desse processo, pois não podemos dissociar a componente econômica da preservação", diz Leal.

Fonte: Feplana

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Açúcar reage nas bolsas após projeção de déficit global saltar para 6,3 milhões de toneladas
Conferência Internacional DATAGRO reúne líderes do setor para debater futuro do açúcar, etanol e biocombustíveis
Brasil pode responder por 73% das exportações globais de açúcar bruto e ampliar protagonismo em 2027
Com expectativa de mix mais alcooleiro, moagem da safra de cana 2026-2027 do Norte-Nordeste atinge 16,7% do previsto
Déficit no mercado global de açúcar deve crescer acentuadamente, diz analista
Açúcar/Cepea: Menor oferta e alta externa impulsionam preços do cristal