Governo publica decreto para prorrogar comprovação de metas de CBios pelas distribuidoras

Publicado em 22/07/2022 12:57

SÃO PAULO (Reuters) - O governo publicou nesta sexta-feira um decreto que prorroga prazos para que as distribuidoras de combustíveis comprovem o atendimento às metas individuais de Créditos de Descarbonização (CBIOs), no âmbito da política de biocombustíveis RenovaBio.

O decreto inclui no regramento a previsão para que o cumprimento das metas possa ser comprovado até 31 de março do ano subsequente. Desde que se iniciou a comercialização dos CBios, o prazo costumava vencer em 31 de dezembro do ano corrente.

O texto publicado nesta sexta-feira também estabelece que, em caráter excepcional, as distribuidoras poderão comprovar o cumprimento das metas de 2022 até setembro de 2023.

A ação está em linha com a recomendação do Comitê RenovaBio e vem num momento de disparada recente dos preços dos CBios. Isso tem impacto direto sobre os preços dos combustíveis, uma vez que as distribuidoras repassam os custos com a aquisição dos certificados para os consumidores finais.

As distribuidoras compram esses créditos de produtores de biocombustíveis, principalmente de etanol, como forma de compensar as emissões de carbono com a venda dos combustíveis fósseis.

Em nota, o Ministério de Minas e Energia disse que o decreto está em consonância com o "atual estado de emergência no Brasil, decorrente da elevação extraordinária e imprevisível dos preços do petróleo, combustíveis e seus derivados e dos impactos sociais dela decorrentes".

"A data estipulada... visa aprimorar o efetivo cumprimento do principal objetivo da política pública: promover a redução da intensidade média de carbono da matriz de combustíveis por meio da expansão da produção e uso dos biocombustíveis no setor de transportes".

A pasta ressaltou ainda que solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma investigação sobre possível infração à ordem econômica praticada nas negociações dos CBios.

Representantes dos produtores de etanol e de biodiesel negam a hipótese de que emissores estariam deixando de colocar certificados à venda, reduzindo a demanda e elevando os preços.

(Por Letícia Fucuchima e Rafaella Barros)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Açúcar reage nas bolsas após projeção de déficit global saltar para 6,3 milhões de toneladas
Conferência Internacional DATAGRO reúne líderes do setor para debater futuro do açúcar, etanol e biocombustíveis
Brasil pode responder por 73% das exportações globais de açúcar bruto e ampliar protagonismo em 2027
Com expectativa de mix mais alcooleiro, moagem da safra de cana 2026-2027 do Norte-Nordeste atinge 16,7% do previsto
Déficit no mercado global de açúcar deve crescer acentuadamente, diz analista
Açúcar/Cepea: Menor oferta e alta externa impulsionam preços do cristal