Raízen faz parceria com ASR Group para venda de açúcar rastreável não modificado geneticamente

Publicado em 03/08/2022 09:05 e atualizado em 04/08/2022 11:24

Por Letícia Fucuchima

SÃO PAULO (Reuters) -

A Raízen e o ASR Group, maior refinador de açúcar do mundo, anunciaram nesta quarta-feira um acordo de dez anos para a negociação do produto não transgênico fabricado pelas unidades da companhia brasileira.

É o primeiro acordo em larga escala global para o fornecimento de açúcar livre de cana transgênica, enquanto produtores brasileiros avançam na produção da matéria-prima geneticamente modificada buscando reduzir custos --embora a área plantada atual no país seja relativamente pequena, em torno de 70 mil hectares.

O acordo com a empresa norte-americana ASR Group envolve volume anual de 1,2 milhão de toneladas, o equivalente a aproximadamente 20% da produção da Raízen, maior produtora global do setor de açúcar e etanol de cana.

O objetivo é criar uma cadeia global de fornecimento e venda de açúcar bruto 100% rastreável, produzido a partir da cana-de-açúcar não modificada geneticamente.

A companhia brasileira ficará responsável por toda a cadeia operacional, garantindo a rastreabilidade e integridade do produto através de seus processos, infraestrutura e tecnologia.

Como parte da parceria, a Raízen disse que se tornou a primeira empresa do setor sucroenergético a receber a certificação da FoodChain ID, empresa norte-americana de identificação de alimentos geneticamente modificados.

A Raízen está credenciada para plantio, colheita e produção do açúcar bruto a partir de cana não transgênica em 15 parques de bioenergia.

Os detalhes financeiros do negócio não foram divulgados, mas as companhias disseram que o produto não transgênico terá um prêmio ante o valor de mercado para cobrir os custos associados.

"Alimentos livres de trangênicos são um grande tema na Europa, nos Estados Unidos, e chegamos à conclusão de que precisávamos de um grande volume de açúcar de cana livre de OGM", disse o vice-presidente do grupo ASR para açúcares globais, Alan Wood, à Reuters.

"Este acordo nos coloca em uma boa posição para atender a essa crescente demanda dos consumidores, incluindo indústrias de alimentos e bebidas", disse Wood, cuja empresa vende marcas populares de açúcar como Tate & Lyle na Grã-Bretanha e Domino nos EUA.

Os transgênicos avançaram além da soja e do milho recentemente, pois os produtores tentaram reduzir os custos e usar variedades mais resistentes a insetos e clima severo.

A cana-de-açúcar geneticamente modificada é considerada mais produtiva pelos desenvolvedores, mas há resistência de parte dos consumidores.

"Esta parceria marca um novo capítulo na rastreabilidade global do açúcar", disse o vice-presidente de trading da Raízen, Paulo Neves.

O executivo disse que o acordo não significa que a empresa brasileira não adotaria cana transgênica em algumas de suas unidades, se visse eficiência em fazê-lo, mas acrescentou que a empresa quer atender as necessidades diferentes dos clientes.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Açúcar reage nas bolsas após projeção de déficit global saltar para 6,3 milhões de toneladas
Conferência Internacional DATAGRO reúne líderes do setor para debater futuro do açúcar, etanol e biocombustíveis
Brasil pode responder por 73% das exportações globais de açúcar bruto e ampliar protagonismo em 2027
Com expectativa de mix mais alcooleiro, moagem da safra de cana 2026-2027 do Norte-Nordeste atinge 16,7% do previsto
Déficit no mercado global de açúcar deve crescer acentuadamente, diz analista
Açúcar/Cepea: Menor oferta e alta externa impulsionam preços do cristal