Preços do açúcar devem corrigir em novembro com a safra do Hemisfério Norte entrando em ritmo, segundo análises da hEDGEpoint

Publicado em 27/10/2022 17:50

Os fluxos comerciais do açúcar devem ser bastante confortáveis ​a partir do primeiro trimestre de 2023, prevê a hEDGEpoint Global Markets em relatório desta semana. “É claro, assumindo que o mercado internacional vai pagar para que o açúcar saia da Índia, ou seja, sendo a paridade de exportação indiana um piso para o açúcar bruto até que a nova safra do Centro Sul brasileiro se inicie”, observa a analista de Açúcar e Etanol da companhia, Lívea Coda.

A tendência baixista pode ganhar ainda mais força a medida que nos aproximamos do início da safra 2023/2024 do Brasil em abril de 2023, de acordo com a especialista, especialmente considerando as boas perspectivas atuais. “Para que essa baixa se concretize, os preços do etanol e a política tributária devem permanecer inalterados, ou então o mix pode responder. Esses fatores estão alinhados com a atual estrutura futura do contrato de açúcar bruto - inversa”, ela diz.

Os preços subiram desde a quebra da safra brasileira de 2021/2022 e os preços do etanol e a paridade de exportação indiana continuam sendo os dois principais pisos, dependendo da época do ano. Atualmente, o setor se aproxima da entressafra brasileira e, portanto, da época do ano em que a participação do Hemisfério Norte nos fluxos de comércio global aumenta consideravelmente.

Tailândia e Índia são conhecidos por serem os principais atores da região. Recentemente, notícias sobre um atraso no início da safra indiana deram mais suporte aos preços do açúcar bruto. Como a paridade das exportações indianas em torno de 18c$/lb, há espaço para uma correção.

Escassez no mercado

Como para qualquer commodity, os preços do açúcar encontram sustentação em tempos de escassez. Desde que seu maior exportador, o Brasil, enfrentou severas adversidades climáticas em 2021 e, portanto, quebra de safra, os preços permaneceram acima de 17c$/lb. A princípio, a ausência brasileira nos fluxos comerciais começou a ser sentida com mais intensidade no início da safra 21/22 do Hemisfério Norte (out-set).

Assim, entre outubro de 2021 e março de 2022, os preços do açúcar bruto permaneceram sustentados pela paridade de exportação indiana em uma média de 19c $/lb, levando o país asiático a alterar sua sazonalidade de exportação e contribuição por tipo (qualidade de açúcar). A menor disponibilidade de açúcar branco levou ao aumento de seu preço, que atingiu mais de 570$/t. É claro que outros fatores contribuíram para esse efeito, como o maior custo de refino.

Este último foi suportado pela evolução positiva do complexo energético, especialmente o gás natural, que é utilizado por muitas refinarias (principalmente na UE) como fonte primária de energia. Como resultado, ambas as qualidades acabaram encontrando sustentação: criou-se um processo inflacionário.

Esperava-se alívio

Com a safra brasileira 2022/2023 (abr-mar), esperava-se algum alívio. No entanto, o etanol encontrou respaldo no complexo energético e ofereceu o apoio adicional aos preços do adoçante. Durante abril e o final de junho de 2022, os preços do açúcar bruto ficaram em torno de 19,2c$/lb.

“A queda drástica do biocombustível, devido às mudanças no regime de impostos do governo, permitiu uma correção: de julho a setembro, os preços voltaram para a média de 18,2$/lb -- note que ainda está acima dos anos em que o Brasil não apresentava problemas de disponibilidade”, lembra Coda. As notícias atuais sobre as chuvas que atrapalham a moagem de final de safra do Centro Sul e atrasam o início da safra da Índia deram outro fôlego ao adoçante e, desde o início do mês, sua média de preço subiu para 18,5$/lb.

“Quando podemos esperar uma correção? Como há açúcar para sair da Índia e da Tailândia, o atraso no início da safra Indiana pode arrastar o início da correção até novembro. No entanto, observe que podemos ter uma disponibilidade menor da Índia devido aos estoques pressionados”, pondera a analista da hEDGEpoint no relatório. Como o país asiático é o principal exportador nesta época do ano -- junto com o Brasil -- para obter fluxos comerciais confortáveis, o mercado internacional terá que pagar sua paridade de exportação.

“Atualmente a estimamos em torno de 18c$/lb, portanto, há espaço para correção. Por fim, com a expectativa de recuperação da nova safra brasileira 23/24 (abr-mar), os fluxos comerciais ficarão ainda mais confortáveis ​e em linha com o superávit esperado para a safra 22/23 (out-set). A partir de abril, portanto, pode haver mais pressão baixista, como já aponta a estrutura de spread futuro”, indica Coda.

Fonte: hEDGEpoint Global Markets

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Açúcar reage nas bolsas após projeção de déficit global saltar para 6,3 milhões de toneladas
Conferência Internacional DATAGRO reúne líderes do setor para debater futuro do açúcar, etanol e biocombustíveis
Brasil pode responder por 73% das exportações globais de açúcar bruto e ampliar protagonismo em 2027
Com expectativa de mix mais alcooleiro, moagem da safra de cana 2026-2027 do Norte-Nordeste atinge 16,7% do previsto
Déficit no mercado global de açúcar deve crescer acentuadamente, diz analista
Açúcar/Cepea: Menor oferta e alta externa impulsionam preços do cristal