Cogeração de energia alcança 20,4 GW no Brasil, com crescimento de 4,5% na capacidade instalada em 2022

Publicado em 18/01/2023 11:21
Marca foi atingida ao final de dezembro; ano de 2022 teve um incremento de 886,9 MW, de acordo com levantamento da Cogen; capacidade instalada da cogeração em operação comercial no Brasil representa 10,8% da matriz elétrica (188,98 GW)

A cogeração em operação comercial no Brasil é de 20,4 GW, o que equivale a 1,46 vezes a capacidade instalada da maior hidrelétrica do País, a usina de Itaipu, que contém 14GW. O total foi apurado em dezembro de 2022, de acordo com informações levantadas pela Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen) junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O número representa 10,8% da matriz elétrica brasileira (188,98 GW).

Em 2022, o incremento foi de 886,9 MW, o que equivale a um crescimento de 4,5% no período de 12 meses (19,6 GW em dezembro de 2021). Foram adicionados 639,1 MW em 18 novas usinas e 247,9 MW em sete ampliações de capacidade instalada.

Somente ao longo do mês de dezembro foram adicionados 11,56 MW de óleos vegetais da usina Palmaplan Energia 2 (RR) e 58,62 MW de bagaço de cana oriundos das usinas São Luiz (SP), Viralcool Castilho 2 (SP) e Destilaria Melhoramentos (PR).

No País, a cogeração conta agora com 652 usinas. A produção de energia movida a bagaço de cana-de-açúcar conta com 386 usinas, totalizando 12,316 GW instalados, o que representa 60,3% do total da cogeração. Em segundo lugar, no ranking, está o licor negro, com 21 usinas, perfazendo 3,407 GW instalados (16,7%). Já a cogeração a gás natural tem 93 usinas, somando 3,152 GW instalados (15,4%). A cogeração derivada de cavaco de madeira chega a 880 MW instalados (4,3%) derivadas de 70 usinas. A produzida com biogás detém 371 MW instalados (1,8%), partindo de 50 usinas. Outras fontes somam 299 MW instalados, com 32 usinas, e completam o quadro (1,5%).

Os números de 2022 superaram a projeção da Aneel, que inicialmente era da entrada em operação comercial de 807,18 MW.

“Esse é um sinal de que o mercado vem apostando na cogeração de energia, que tem imensa importância para a segurança energética do País”, afirma o presidente executivo da Cogen, Newton Duarte.

“É uma energia distribuída, gerada em usinas próximas dos pontos de consumo, o que dispensa a necessidade de investimentos em longas linhas de transmissão. E é uma energia firme, com qualidade, não intermitente A cogeração é fundamental para uma matriz elétrica mais equilibrada, poupando água dos reservatórios das hidrelétricas”, diz Duarte.

A expetativa da Cogen é que o potencial da cogeração de energia possa ser mais bem reconhecido no planejamento energético brasileiro.

“As usinas de cogeração movidas a biomassa têm diversas externalidades econômicas e ambientais. Acreditamos que os organismos de planejamento poderiam ser mais assertivos ao sinalizar a expectativa de crescimento da cogeração. Isso seria importante para a decisão de investimento. O potencial de crescimento é expressivo, sobretudo com as possibilidades de um novo uso da cana-de-açúcar e seus resíduos (como por exemplo a vinhaça da produção do etanol e da torta de filtro) com o advento da produção de biometano”, explica Duarte.

“Também apostamos no crescimento da cogeração a gás natural, principalmente com as perspectivas de novos ofertantes da molécula a preços mais competitivos, fator que pode trazer uma maior viabilidade para os projetos de cogeração”, acrescenta o presidente executivo da Cogen.

De acordo com o do diretor de Tecnologia e Regulação da Cogen, Leonardo Caio Filho, a cogeração a biomassas tem sido essencial para garantir a segurança energética do País. “Em 2021, a cogeração contribuiu para poupar 14 pontos percentuais do nível dos reservatórios das hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, que é justamente onde está o principal mercado consumidor do País. Vale lembrar que as usinas de açúcar e etanol entregam essa energia principalmente no período de safra, o que coincide com o período seco.”

No ranking por unidades da federação de cogeração por biomassa, o Estado de São Paulo lidera a lista com 7,5 GW instalados. Em seguida estão Minas Gerais (2,1 GW instalados); Mato Grosso do Sul (1,9 GW instalados); Goiás (1,5 GW instalados); Rio de Janeiro e Paraná (cada um com 1,3 GW instalados), e Bahia (1,1 GW instalados).

Entre os cinco setores industriais que mais usam a cogeração estão o Sucroenergético (12,397 GW), Papel e Celulose (3,262 GW), Petroquímico (2,305 GW), Madeireiro (832 MW) e Alimentos e Bebidas (638 MW)

Fonte: Cogen

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