São Martinho começa a produzir etanol de milho em Goiás ainda neste mês

Publicado em 01/02/2023 15:34

SÃO PAULO (Reuters) – A São Martinho iniciará a produção de etanol de milho na unidade de Quirinópolis (GO) até o final de fevereiro, o que deverá elevar em 220 milhões de litros a capacidade da usina, que antes trabalhava apenas com a cana-de-açúcar como matéria-prima, disse o CEO da empresa nesta quarta-feira.

Segundo Fábio Venturelli, a unidade está finalizando os testes para o etanol de milho, rodando com água e vapor, e deverá ter capacidade total de produção de 650-670 milhões de litros de etanol por safra, sendo a maior parte a partir de cana.

Ele destacou que a produção do biocombustível de milho vai melhorar a pegada de carbono da unidade, considerando a produção total de etanol.

“Porque tem combinação energética, usa a energia do bagaço da cana para fazer a conversão, a moagem e a produção do etanol de milho, e o milho da safrinha é um segundo uso do solo, o que o mercado norte-americano não tem”, disse.

O uso do solo é um item importante para a definição da pegada de carbono, assim como a geração de energia. Nos EUA, lembrou Venturelli, as cadeiras são movidas a óleo ou carvão, enquanto no Brasil as usinas usam biomassa (bagaço da cana).

“É uma planta que, abraçando o biometano, a pegada de carbono dela vai ser uma das mais baixas do mundo”, ressaltou.

Outra vantagem da fábrica de Goiás é a capacidade de armazenagem de milho, que gira em cerca de 50% do consumo da usina, o que reduz riscos de exposição à volatilidade de preços.

“Ninguém tem isso… a capacidade de armazenagem é impressionante, o milho que vai ser processado nesta safra já está lá faz um tempo”, completou, sem dar detalhes.

Ele não revelou a estratégia de compra de milho. Mas admitiu a hipótese de eventualmente também fazer vendas do cereal.

“Eu posso vender o milho, anunciamos parceria internacional com a (trading) Wilmar, a ideia é que a São Martinho seja a base de originação de grãos da Wilmar, uma das maiores tradings asiáticas”, completou.

Mas o executivo ponderou que espera que a venda de milho não seja necessária. “Pode acontecer, espero que não aconteça, se fizer isso, é que a gente conseguiu uma remuneração muito melhor vendendo o milho do que produzindo o etanol, não torço pra isso, mas se precisar posso fazer.”

Venturelli disse que a companhia ainda tem um pouco de produção de soja em Goiás, nas áreas de reforma do canavial.

“Temos feito experimentos e está virando outra fonte de receita a venda da soja.”

(Por Roberto Samora)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Açúcar reage nas bolsas após projeção de déficit global saltar para 6,3 milhões de toneladas
Conferência Internacional DATAGRO reúne líderes do setor para debater futuro do açúcar, etanol e biocombustíveis
Brasil pode responder por 73% das exportações globais de açúcar bruto e ampliar protagonismo em 2027
Com expectativa de mix mais alcooleiro, moagem da safra de cana 2026-2027 do Norte-Nordeste atinge 16,7% do previsto
Déficit no mercado global de açúcar deve crescer acentuadamente, diz analista
Açúcar/Cepea: Menor oferta e alta externa impulsionam preços do cristal