Combustíveis mais caros: Isenção dos impostos federais termina em 28 de fevereiro e governo deve voltar com tributos

Publicado em 24/02/2023 11:11 e atualizado em 24/02/2023 14:59
Nesta sexta-feira (24), está marcada uma reunião do presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, com Lula, no Palácio do Planalto

A desoneração dos impostos federais (PIS e Cofins) sobre a gasolina e o etanol termina na próxima terça-feira, 28 de fevereiro, e o indicativo é que o governo federal volte com os tributos. A informação parte do Estadão, com base no relato de um economista-chefe de corretora que teve reunião com o ministro da Fazenda Fernando Haddad nos últimos dias.

Além disso, Gabriel Galípolo, considerado número 2 da Fazenda, também indicou ao jornal que a decisão deve ser pela reoneração. "Como está do ponto de vista legal, no dia 28 se encerra o subsídio sobre gasolina. É isso que a gente tem colocado no momento. Mas sempre essas avaliações são considerando uma série de outras perspectivas para além da econômica", disse.

O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, também confirmou nesta sexta-feira em entrevista para a Folha de S. Paulo que a reoneração deve voltar. "De fato, a MP previu que a alíquota de desoneração seria vigente até o final deste mês. A reoneração está prevista conforme a norma que está vigendo", afirmou ao jornal.

Nesta sexta-feira (24) de manhã, está marcada uma reunião do presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, com Lula, no Palácio do Planalto. A conversa aconteceria na véspera, mas passou para hoje.

Cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) apontam que, caso voltem os impostos, a gasolina nas refinarias pode subir R$ 0,79 pelo PIS/Cofins e R$ 0,10 pela Cide. Já nos postos, após mistura com etanol, o impacto total será de R$ 0,68 por litro. O etanol deve subir R$ 0,24 por litro nas bombas.

A Petrobras ainda teria alguma gordura para queimar no repasse às refinarias, já que os preços estão mais altos do que no cenário internacional.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) tem reagido fortemente à decisão de continuidade da desoneração desde o início do ano, pois há um favorecimento da competitividade da gasolina, um combustível fóssil, ante o etanol. A Unica representa mais de 120 empresas associadas produtoras de açúcar, etanol e outros produtos em bioenergia da região Centro-Sul do Brasil.

A expectativa da indústria de biocombustíveis é de que o governo faça valer não só a Constituição Federal, como também seja coerente em seu discurso que coloca o meio ambiente como pauta prioritária.

De acordo com cálculos do Ministério da Fazenda, quando ainda estava em discussão a manutenção ou não da isenção dos impostos federais, a recomposição dos tributos renderá R$ 28,88 bilhões ao caixa do governo em 2023. Somente no mês de janeiro, segundo a Receita, o governo deixou de arrecadar R$ 3,75 bilhões.

Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Açúcar reage nas bolsas após projeção de déficit global saltar para 6,3 milhões de toneladas
Conferência Internacional DATAGRO reúne líderes do setor para debater futuro do açúcar, etanol e biocombustíveis
Brasil pode responder por 73% das exportações globais de açúcar bruto e ampliar protagonismo em 2027
Com expectativa de mix mais alcooleiro, moagem da safra de cana 2026-2027 do Norte-Nordeste atinge 16,7% do previsto
Déficit no mercado global de açúcar deve crescer acentuadamente, diz analista
Açúcar/Cepea: Menor oferta e alta externa impulsionam preços do cristal