Análise de mercado do açúcar

Publicado em 01/09/2008 12:39 1597 exibições

DEMANDA FRACA NO CURTO PRAZO

O mercado de açúcar em NY fechou a semana com expressiva queda. O contrato com vencimento para outubro perdeu mais de 30 dólares por tonelada na semana que terminou, dando uma clara demonstração daquilo que todos já estão cansados de saber: a demanda para o curto prazo é fraca. O spread (diferença de preços) entre o outubro e o março alargou mais de 7 dólares por tonelada na semana, chegando a negociar a 180 pontos, ou seja, o outubro estava sendo oferecido com um desconto de 40 dólares por tonelada contra o março de 2009. Quanto custa carregar uma tonelada de açúcar por cinco meses? Certamente, não 40 dólares.

Está na cara que ninguém parece estar disposto a querer receber açúcar no vencimento do contrato de outubro, que ocorre dia 30 de setembro, ainda mais com a possibilidade de a Argentina fazer grandes entregas contra aquele vencimento. O alargamento do spread é decorrência da rolagem daqueles que estão comprados no outubro e revendem suas posições recomprando-as para março, empurrando com a barriga a possibilidade de ganhos no caso de o mercado se consolidar mais tarde.

A posição de contratos em aberto em NY subiu aproximadamente 1 milhão de toneladas na última semana. Teoricamente, posição em aberto que sobe em mercado que desce indica que o mercado está enfraquecendo, pois novas vendas foram feitas nos níveis mais baixos. Vamos aguardar. O índice elaborado pela Archer Consulting demonstra que as fixações para 2009/2010 estão em ritmo lento, estimadas em apenas 27% de um total considerado de exportação brasileira de 21.6 milhões de toneladas.

Não existem motivos fundamentalistas para desacreditar - neste estágio - em que os preços para 2009 atinjam 17 centavos de dólar por libra-peso. A constatação de diversas tradings de que teremos um déficit de cerca de 3.3 milhões de toneladas de açúcar vai fazer com que apenas um rally (subida acentuada de preços) faça o produtor mudar o atual curso do mix de produção. A enorme diferença entre as liquidações do álcool anidro e hidratado vis-à-vis o açúcar no mercado internacional desestimula a produção de açúcar hoje.

Consumidores devem aproveitar a maré de preços baixos e procurar fazer proteções de longo prazo estabelecendo níveis de preços máximos ou mesmo fixando parte de suas necessidades. Uma boa idéia para os consumidores é vender puts (opções de venda) fora do dinheiro para capturar alguns centavos extras e ajudar a diminuir o custo de aquisição da matéria prima. Usinas devem continuar a fazer a lição de casa, com bastante calma e disciplina e aproveitar os rallies que certamente virão.

Para aqueles que têm mais jogo de cintura e dinheiro no caixa, vale a pena vender calls (opções de compra) de 17 centavos de dólar por libra-peso para vencimentos a partir de maio de 2009. Na média o prêmio dessas calls (opções de compra) está em 182 pontos, ou seja, se você vender as opções com preço de exercício de 17 centavos de dólar por libra-peso, vai coletar 182 pontos, se o mercado no vencimento estiver acima de 17, sua fixação é de 18,82 centavos de dólar por libra-peso, se o mercado expirar abaixo de 17, você coletou apenas um prêmio de 182 pontos que equivalem a 40 dólares por tonelada. Nada mal. O problema quer as usinas mencionam é sempre a chamada de margem que assusta. Se imaginarmos uma usina que queira fazer 100.000 toneladas dessa operação e o mercado sobe para 25 centavos de dólar por libra-peso (exagerando) o estresse da chamada de margem pode chegar aos 15 milhões de dólares. Ninguém tem isso de reserva.

Preocupa sobremaneira todo o setor bancário a situação de penúria que algumas usinas têm atravessado. Fornecedores de cana estão sendo chamados para negociar prazos e recebimento. Tem usina atrasando pagamento. Por isso que preços altos e remuneradores, quando ocorrem, devem ser aproveitados pois commodity é um negócio cíclico. Não há alta que sempre dure tem baixa que nunca se acabe. Entre uma e outra, é bom que o caixa esteja reforçado.

Novas estimativas dão conta de que a China cresce 9.8% este ano e 9.0% no próximo. A Índia 7.7% e 7.1% respectivamente. Essa estimativa, por si só, nos deixa menos preocupado com eventuais quedas acentuadas nas commodities, que vão continuar a ser demandadas. Por isso é bom aproveitar as baixas.

Os assinantes da Bloomberg podem ler esse comentário digitando ARCO.

Tenham todos uma excelente semana

 

Fonte: Archer Consulting

Fonte:
Archer Consulting

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