Açúcar e Etanol: Abril, 1º mês da safra 2023/24, termina com preços em alta no mercado spot de SP

Publicado em 08/05/2023 15:58 e atualizado em 09/05/2023 07:37
Chuvas na região Centro-Sul do país impactaram no trabalho das usinas e no transporte dos produtos, reduzindo a oferta disponível no mercado físico

A safra 2023/24 começou no mês de abril no Centro-Sul do Brasil. Porém, diferente de como ocorre em outros anos, quando a oferta neste mês dispara com a colheita e a moagem em andamento – e pressiona as cotações do açúcar e etanol –, agora, os preços ainda seguiram em trajetória de alta que vem desde a entressafra.

“O impulso veio das chuvas do mês nas regiões produtoras de cana-de-açúcar, que dificultaram o transporte para as usinas, interromperam a produção e reduziram a oferta no mercado físico”, informou em nota o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea, da Esalq/USP).

Diante desse cenário, a oferta de açúcar cristal para pronta entrega no mercado paulista, que é o principal do país, foi baixa durante quase todo o mês de abril e elevou os preços, embora a demanda não tenha sido considerável. “Alguns compradores optaram por trabalhar com o açúcar que tinham em estoque”, disse o Cepea.

No mês, o índice Cepea/Esalq para o adoçante registrou R$ 141,03 a saca de 50 kg, 6,84% superior à de março (R$ 132,00/saca). Porém, o indicador terminou em cerca de R$ 147 a saca, o maior patamar desde meados de fevereiro de 2022, entressafra da safra 2022/23.

Mesmo com a alta no mercado interno (spot de São Paulo), as exportações do açúcar têm sido ainda mais rentáveis para as unidades produtoras desde o início do ano. Entre os meses de janeiro e abril, as exportações acumuladas do Brasil já totalizaram 5,96 milhões de toneladas, ficando cerca de 2,5% maior do que no mesmo período do ano passado, apesar de abril ter tido um fraco resultado.

“Esse cenário é reflexo de uma maior produção de açúcar na safra 2022/23 no Centro-Sul, que se encerrou agora em março, e que teve mais cana e um mix mais açucareiro - tendo mais adoçante na entressafra pra embarque”, explica Marcelo Di Bonifacio Filho, analista em inteligência de mercado da StoneX.

Bonifácio Filho também explica que o basis – que é o diferencial do preço interno sobre o de exportação – está bastante negativo no momento. “Em outras palavras, o açúcar para exportação tem registrado prêmios elevados em relação ao indicador Cepea, que é o que a gente olha para o mercado interno. Mas isso, justamente, reflete preços internacionais nas máximas de 11 anos e prêmios de exportação elevados porque tem poucos players ofertando nas praças físicas”, diz.

“Estimativas de menor produção de açúcar na Índia, Tailândia, China e União Europeia somadas ao atraso na colheita da cana no Brasil – por causa das chuvas – já vinham pressionando as cotações do açúcar no exterior”, explicou o Cepea na nota sobre os preços do açúcar, apontando que o cenário externo contribui para as altas internas.

As atenções do mercado também estarão voltadas a partir de agora para o fenômeno climático El Niño, que deve aumentar as incertezas sobre a produção mundial de açúcar. “No Brasil, o inverno pode ser mais úmido, o que prejudicaria a colheita da cana e reduziria a qualidade da sacarose. Por outro lado, na Índia, o clima pode ser mais seco, com menos chuvas de monção”, informa o centro.

ETANOL TAMBÉM INICIA SAFRA EM ALTA

O etanol também começou o primeiro mês da safra 2023/24 com valorização, tanto para o anidro quanto para o hidratado no mercado do estado de São Paulo. Considerando as quatro semanas completas de abril, a média mensal do índice semanal Cepea/Esalq do etanol hidratado fechou em R$ 2,9377/litro, 8,36% superior à de março. Para o etanol anidro, considerando apenas as vendas no mercado spot, o indicador subiu 7,14%, para R$ 3,3263/litro.

“A demanda por etanol aumentou em abril, elevando o volume negociado no mercado spot. Além disso, os dois feriados do mês (Sexta-feira Santa e Dia de Tiradentes, 14 e 21 de abril) levaram agentes das distribuidoras a comprar mais etanol – até então, as compras eram esporádicas”, destacou o Cepea em nota.

Além disso, os estoques ainda estavam baixos no primeiro mês da nova safra, e as chuvas de abril limitaram a produção. Assim, a quantidade do produto da nova estação no mercado diminuiu.

“Por outro lado, na última semana do mês, a liquidez diminuiu com a saída de compradores do mercado. Alguns desses agentes estavam cientes da previsão de tempo firme nas próximas semanas, o que tende a favorecer o processamento da cana-de-açúcar e a oferta de etanol”, ressalta o centro.

Bonifacio Filho destaca que o mês de abril foi marcado por chuvas até acima da média no Centro-Sul do Brasil. “A safra está correndo, mas com impactos diante dessas chuvas na colheita, mas já estamos vendo, por exemplo, o etanol caindo bem nas usinas, que deve ser reflexo da maior disponibilidade de cana. Maio deve ser um mês que as chuvas podem cessar de forma mais clara e aí sim as usinas vão aumentar essa moagem significativamente”, afirma.

Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Açúcar reage nas bolsas após projeção de déficit global saltar para 6,3 milhões de toneladas
Conferência Internacional DATAGRO reúne líderes do setor para debater futuro do açúcar, etanol e biocombustíveis
Brasil pode responder por 73% das exportações globais de açúcar bruto e ampliar protagonismo em 2027
Com expectativa de mix mais alcooleiro, moagem da safra de cana 2026-2027 do Norte-Nordeste atinge 16,7% do previsto
Déficit no mercado global de açúcar deve crescer acentuadamente, diz analista
Açúcar/Cepea: Menor oferta e alta externa impulsionam preços do cristal