Produtores da região de Quirinópolis (GO) criam associação para representar e reivindicar discussões sobre o desequilíbrio econômico na atividade de cana-de-açúcar
A cana-de-açúcar é um dos produtos mais importantes do agronegócio brasileiro. Sendo a segunda maior cultura agrícola do país, de acordo com dados de 2023 do IBGE, o setor sucroalcooleiro responde por aproximadamente 2% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Nos últimos anos, no entanto, a produção destinada ao etanol tem enfrentado desafios, principalmente devido ao aumento da oferta de etanol de milho no mercado. Esta é uma das principais preocupações da Associação dos Defensores do Agro (Adeagro).
Formada por produtores da região de Quirinópolis (GO), a associação foi criada em 2024 em resposta ao desequilíbrio nos preços pagos pela tonelada de cana-de-açúcar na safra 23/24, por usinas da região, parceiras dos produtores locais. Na ocasião, o preço registrado por uma das unidades industriais apresentou uma defasagem de mais de 30% em relação ao valor final da safra, conforme os dados do CONSECANA/SP, que considera todos os produtos derivados da cana-de-açúcar.
“A entrada do etanol de milho alterou significativamente nosso mercado. A diferença entre o valor antecipado e o preço final da safra 23/24 reflete diretamente o impacto no preço e no volume da comercialização do etanol, produto com maior volume de fabricação nas usinas da região. . Temos produtores endividados com a usina, o que causa um impacto brutal nas finanças dos pequenos e médios produtores. É difícil explicar os motivos dessa situação”, afirma Elizabeth Alves, Presidente da Adeagro e produtora rural.
Quirinópolis é o segundo maior produtor de cana-de-açúcar do estado de Goiás, uma atividade de grande relevância para a região. A associação já conta com mais de 100 produtores, que somam cerca de 22 mil hectares de áreas produtivas na região.
Ao longo do último ano, a missão da Adeagro se expandiu. Hoje, a associação busca fortalecer os canavieiros da região goiana, promover a educação dos afiliados sobre o modelo de remuneração do mercado e os riscos para a sustentabilidade do negócio. O grupo também trabalha para melhorar os acordos comerciais e explorar alternativas que beneficiem os produtores, bem como acompanhar o processo de inclusão de mais subprodutos da cana, como açúcar e energia, o que contribuiria para a segurança e o retorno financeiro da atividade
A Adeagro está buscando aumentar sua representatividade junto às entidades representativas ligadas ao setor. Os custos de produção para os produtores da região estão elevados. Na última safra, a produção de uma tonelada de cana custou R$ 106,79. Com o preço atual do Açúcar Total Recuperável (ATR), uma tonelada de cana com 135 quilos de ATR vale apenas R$ 114,75. Isso resulta em uma margem de lucro de apenas R$ 7,96, sem levar em conta os custos tributários e outros serviços que não estão diretamente relacionados à operação agrícola.
“Os preços praticados atualmente na região tornam a produção de cana-de-açúcar inviável para a grande maioria dos produtores, levando-os a buscarem por outras formas de uso da terra, mais rentáveis. Isso terá um impacto na renovação dos contratos e, consequentemente, na produção de cana na região. Nossa missão é fortalecer esses e outros produtores que desejam se filiar, para alcançar uma negociação justa com as empresas e os órgãos reguladores, além de proteger, principalmente, os pequenos e médios produtores, os mais afetados por essa defasagem. Queremos ter um papel ativo na representatividade da região e criar um modelo sustentável para todos – usinas e produtores. Precisamos unir forças, pois não existimos um sem o outro”, finaliza Elizabeth.
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