Nesta quinta-feira, açúcar mantém trajetória de alta após corte de juros nos EUA

Publicado em 11/12/2025 08:44 e atualizado em 11/12/2025 09:33
Dólar mais fraco impulsiona preços internacionais, enquanto valorização da moeda americana no país estimula exportações das usinas

Nesta quinta-feira (11), o mercado do açúcar mantém o movimento de valorização nas bolsas internacionais. Em Nova Iorque, o contrato março/26 é negociado a 14,92 cents de dólar por libra-peso (+0,07%), o maio/26 a 14,51 cents (+0,14%) e o julho/26 a 14,48 cents (+0,14%). Em Londres, a commodity também opera em alta, com o março/26 cotado a US$ 426,60 por tonelada (+0,12%).

O mercado reage à nova decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, que reduziu novamente a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano. O movimento reforça a tendência de enfraquecimento do dólar no mercado internacional, o que, por sua vez, sustenta os preços do açúcar e de outras commodities agrícolas.

No Brasil, a variação cambial segue positiva, com o dólar negociado próximo de R$ 5,47, o que estimula as exportações ao aumentar a remuneração das usinas em reais. Esse fator contribui para manter o setor ativo nas bolsas internacionais, mesmo diante do aumento global de oferta.

Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o analista Maurício Murici, da Safras & Mercado, avaliou que o comportamento recente dos preços em Nova Iorque demonstra resiliência e sustentação. Segundo ele, o contrato março/26 chegou a superar 15,20 cents/lbp no fim de novembro e, apesar da realização de lucros, as quedas permaneceram contidas na faixa de 14,80 a 14,90 cents/lbp.

“A manutenção do mercado nessa faixa indica uma zona de consolidação, que historicamente costuma anteceder movimentos de retomada de alta. Há espaço para que as cotações avancem novamente e busquem a região de 16 cents/lbp mais à frente”, destacou Murici.

Outro fator de suporte vem da Tailândia, segundo informações da Reuters. Parte dos produtores locais tem migrado áreas de cana-de-açúcar para o cultivo de mandioca, devido aos preços mais baixos do açúcar e a problemas sanitários em algumas regiões. Essa mudança pode reduzir a oferta global no médio prazo, sustentando o mercado internacional.

Por: Ericson Cunha
Fonte: Notícias Agrícolas

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