Açúcar perde tração com alta do dólar e avanço da safra indiana
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Nesta sexta-feira, o mercado do açúcar perde tração e volta a operar no vermelho nas bolsas internacionais. Em Nova Iorque, o contrato março/26 é negociado a 14,86 cents de dólar por libra-peso, uma redução de 0,73%. O vencimento maio opera a 14,47 cents (-0,82%) e o julho a 14,49 cents (-0,89%). Em Londres, a commodity acompanha o movimento de baixa, com o março cotado a US$ 425,30 por tonelada (-0,61%).
Os preços recuaram das máximas da semana registradas anteriormente, pressionados pela valorização do dólar, que atingiu sua máxima de quatro semanas. O câmbio mais forte estimulou a liquidação de posições compradas nos contratos futuros. Esse movimento de venda acabou ofuscando um fator altista importante: o rebalanceamento anual dos índices de commodities. Segundo projeções do Citigroup, os índices BCOM e S&P GSCI (os dois maiores do setor) devem receber fluxos de cerca de US$ 1,2 bilhão em contratos futuros de açúcar na próxima semana. Essa expectativa havia impulsionado os preços inicialmente na quinta-feira, mas a aversão ao risco global falou mais alto hoje.
O principal vetor de pressão nos fundamentos vem da Ásia por sinais de maior produção na Índia, o segundo maior produtor global, o que limita os ganhos. A Associação Indiana de Usinas de Açúcar (ISMA) informou que a produção do país entre 1º de outubro e 31 de dezembro saltou 25% em relação ao ano anterior, totalizando 11,90 milhões de toneladas (ante 9,54 milhões no mesmo período da safra passada). A ISMA elevou sua estimativa total para a safra 2025/26 para 31 milhões de toneladas (+18,8%) e reduziu a previsão de uso de açúcar para etanol, o que aumenta o excedente exportável.
Segundo a Reuters, as usinas indianas assinaram contratos de exportação para cerca de 180.000 toneladas métricas. Embora o governo tenha aprovado o envio de 1,5 milhão de toneladas, os altos preços no mercado local vinham travando os negócios. Contudo, nas últimas semanas, os preços internos na Índia corrigiram cerca de 6% (para 36.125 rúpias/tonelada) e a rúpia se desvalorizou, tornando a exportação viável novamente. Negociantes apontam que a Índia tem uma "janela estreita" de exportação neste trimestre (janeiro a março), antes que a entrada da safra brasileira, a partir de abril, volte a pressionar os preços globais.
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