Açúcar perde o suporte dos 14 cents em NY e renova mínimas; no Brasil, preço da saca tem maior queda real desde 2019
O mercado do açúcar acentua o movimento de baixa e consolida perdas significativas nas bolsas internacionais. Em Nova Iorque, o contrato com vencimento em março de 2026 rompeu o suporte psicológico dos 14 cents, sendo negociado a 13,88 cents de dólar por libra-peso, uma queda de 1,70%. A pressão é generalizada nos vencimentos futuros, com maio e julho recuando para a casa dos 13,50 cents. Em Londres, o cenário é ainda mais crítico: a commodity é cotada a US$ 391,10 por tonelada (-1,76%), renovando a mínima de cinco anos atingida na sessão anterior.
A liquidação dos contratos reflete a preocupação contínua com os excedentes globais da commodity. O mercado digere os dados da Unica, que apontaram um crescimento de 0,9% na produção acumulada do Centro-Sul brasileiro (totalizando 40,236 milhões de toneladas) e um mix de produção mais açucareiro, que saltou de 48,15% para 50,78% na safra atual.
No mercado físico brasileiro, o impacto é visível. Dados do Cepea mostram que o açúcar cristal branco encerrou a primeira semana de fevereiro em queda, com o Indicador CEPEA/ESALQ (SP) marcando média de R$ 103,46 por saca. Em termos reais (valores deflacionados), trata-se do menor patamar desde setembro de 2019. Nominalmente, a saca voltou a fechar na casa dos R$ 100,00, o que não ocorria desde outubro de 2020. Segundo pesquisadores, essa desvalorização está atrelada à qualidade do produto ofertado: há uma maior participação de açúcar com coloração mais elevada (até 180 Icumsa) nas negociações, o que pressiona as médias para baixo, independentemente da demanda.
O setor de biocombustíveis acompanha o viés negativo. Pela primeira vez desde outubro de 2025, o etanol hidratado registrou desvalorização semanal em São Paulo, fechando a R$ 3,0496/litro (-1,26%). A liquidez no mercado spot permanece baixa, com negócios pontuais envolvendo pequenos volumes; nem mesmo a proximidade do Carnaval foi suficiente para aquecer a demanda das distribuidoras. O cenário é agravado pela forte retração nas exportações: segundo a Secex, o Brasil embarcou apenas 43,3 milhões de litros de etanol no período, um volume 74% menor que o de dezembro e drasticamente inferior aos 179 milhões de litros exportados um ano antes.