Açúcar fecha em alta com perspectiva de que usinas priorizem a produção de etanol

Publicado em 26/03/2026 16:07
Projeção de menor oferta do adoçante sustenta cotações

Os preços do açúcar voltaram a subir nesta quinta-feira (26) nas bolsas internacionais, sustentados pelo avanço nas cotações do petróleo, o que reforça uma tendência do aumento na produção de etanol e redução da oferta brasileira do adoçante na temporada 2026/27.

Na Bolsa de Nova Iorque, os contratos registraram ganhos moderados. O maio/26 subiu 0,32 cent (+2,06%), fechando a 15,87 cents/lbp. O julho/26 avançou 0,31 cent (+1,97%), para 16,03 cents/lbp. O outubro/26 ganhou 0,26 cent (+1,62%), encerrando a 16,35 cents/lbp, enquanto o março/27 registrou valorização de 0,23 cent (+1,37%), terminando o dia cotado a 16,96 cents/lbp.

Em Londres, o movimento também foi positivo. O maio/26 avançou US$ 5,60 (+1,23%), fechando a US$ 459,60 por tonelada. O agosto/26 subiu US$ 7,40 (+1,63%), para US$ 460,60 por tonelada. O outubro/26 ganhou US$ 7,10 (+1,56%), encerrando a US$ 462,50 por tonelada, enquanto o dezembro/26 registrou alta de US$ 6,60 (+1,44%), fechando a sessão a US$ 463,80 por tonelada.

Nesta quinta-feira, a consultoria Safras & Mercado afirmou que o Brasil deverá reduzir em 14,2% os embarques de açúcar na temporada 2026/27, que se inicia em abril, à medida que as usinas direcionam mais cana-de-açúcar para a produção de etanol diante dos preços elevados do petróleo.

Segundo a consultoria, a produção total de açúcar do país pode cair para 40,3 milhões de toneladas na safra 2026/27, ante 43,5 milhões de toneladas no ciclo anterior. O analista de açúcar e etanol da Safras, Mauricio Muruci, avalia ainda que o governo brasileiro poderá elevar a mistura obrigatória de etanol na gasolina dos atuais 30% para 35% no segundo semestre, o que tende a ampliar a demanda por etanol anidro.

No cenário energético, o mercado segue atento à evolução do conflito no Oriente Médio. De acordo com análises internacionais, os preços do petróleo e da gasolina permanecem em forte alta em meio ao ceticismo sobre um possível cessar-fogo entre Irã e seus adversários. Relatos de que os Estados Unidos podem intensificar as ações militares caso o Estreito de Ormuz continue fechado reforçam as preocupações com o abastecimento global de energia.

No Brasil, outro ponto de atenção é a política de preços dos combustíveis. Conforme destacou a Reuters, a Petrobras ainda não promoveu reajustes após o início da guerra no Irã, apesar de estimativas indicarem que os preços domésticos da gasolina estejam cerca de 40% abaixo da paridade de importação — fator que segue sendo monitorado de perto pelos agentes do mercado.

 

Fonte: Notícias Agrícolas

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