Açúcar fecha quarta-feira em queda com pressão de oferta brasileira
O primeiro dia de abril foi marcado por queda nos preços do açúcar nas principais bolsas internacionais, reforçando o movimento observado nos últimos dias. A pressão vem principalmente da perspectiva de oferta mais robusta no Brasil, enquanto fatores externos seguem influenciando o comportamento das cotações.
Nesta quarta-feira (1) na bolsa de Nova Iorque, o contrato de maio fechou com um recuo de 23 pontos, sendo comercializado a 15, 29 cents/lbp.
Já em Londres, o mesmo vencimento encerrou o dia a US$ 445,70 por tonelada, uma queda de 1,43%.
Os preços do açúcar caíram para mínimas de duas semanas na quarta-feira e fecharam em forte queda. A queda de 1% nos preços do petróleo bruto na quarta-feira pressiona os preços do etanol, potencialmente incentivando as usinas de açúcar do mundo a aumentarem a produção de açúcar em detrimento do etanol, aumentando assim a oferta de açúcar.
Oferta elevada no Brasil pressiona o mercado
O aumento da produção de açúcar no Brasil também é um fator negativo para os preços do açúcar. Na última sexta-feira, a Unica informou que a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul em 2025/26 (de outubro a meados de março) cresceu 0,7% em relação ao ano anterior, atingindo 40,25 milhões de toneladas, com as usinas elevando o percentual de cana processada para 50,61%, ante 48,08% no ano passado.
De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, a safra brasileira 2025/26 pode atingir cerca de 610 milhões de toneladas de cana, resultando em aproximadamente 40,5 milhões de toneladas de açúcar, enquanto projeções iniciais para 2026/27 apontam potencial de até 630 milhões de toneladas, reforçando um cenário estruturalmente baixista para os preços.
Suporte em fatores externos
Apesar disso, o mercado tem encontrado suporte no curto prazo. A recente alta dos preços foi impulsionada principalmente pela cobertura de posições vendidas por fundos especulativos, além do impacto do cenário macroeconômico e geopolítico, com destaque para a escalada do conflito entre EUA e Irã.
Os preços do açúcar atingiram, na última terça-feira (24) níveis próximos a 15,8 centavos de dólar por libra, consolidando-se em uma faixa de negociação entre 15,4 e 15,9 c/lb, considerada relativamente construtiva, mas sustentada por bases frágeis e sensível à volatilidade global.
No campo energético, a alta do petróleo, com o Brent acumulando valorização de aproximadamente 78% desde o início de 2026, tem exercido influência direta sobre o açúcar, especialmente no Brasil, onde as usinas possuem flexibilidade para direcionar a produção entre açúcar e etanol.
“Ainda assim, o suporte aos preços continuou vindo principalmente de fora do mercado de açúcar. A alta da semana passada foi impulsionada em grande parte pela atividade de cobertura de posições vendidas dos fundos especulativos”, aponta Lívea Coda, Analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.
“Embora essa faixa seja relativamente construtiva, ela repousa sobre bases frágeis, sendo impulsionada principalmente por posicionamentos especulativos em meio a uma elevada volatilidade macroeconômica e geopolítica”, acrescenta.
A relação com o setor de energia também segue como fator determinante. O aumento dos preços do petróleo, aliado a possíveis repasses de custos no Brasil, pode elevar a competitividade do etanol e influenciar diretamente o mix de produção das usinas, estabelecendo um piso mais elevado para o açúcar.
Por outro lado, a continuidade desse suporte depende da evolução do cenário externo. Em caso de redução das tensões geopolíticas ou limitação no repasse de custos no mercado doméstico, os preços tendem a corrigir, refletindo novamente os fundamentos de oferta mais abundante.
Um fator positivo para o setor açucareiro é a valorização da moeda brasileira . O real atingiu a maior cotação em três semanas frente ao dólar na quarta-feira, o que desestimulou as exportações de açúcar do Brasil.
Na segunda-feira (30), o preço do açúcar em Nova York subiu para a máxima em 5,5 meses, e o preço do açúcar em Londres atingiu a máxima em 6 meses, impulsionado pela recente alta nos preços do petróleo bruto. O petróleo bruto atingiu a máxima em 3,75 anos no mês passado, elevando os preços do etanol e potencialmente incentivando as usinas de açúcar do mundo todo a aumentarem a produção de etanol e reduzirem a produção de açúcar.
Além disso, o mercado segue atento às interrupções no fornecimento global. O fechamento do Estreito de Ormuz tem gerado impactos logísticos relevantes e, segundo a Covrig Analytics, já reduziu em cerca de 6% o comércio mundial de açúcar, restringindo a produção de açúcar refinado.