Açúcar fecha em queda em Nova York com pressão da oferta global e exportações indianas

Publicado em 06/04/2026 16:21
Avanço da produção na Índia e no Brasil pesa sobre preços, enquanto valorização do real limita perdas.

O mercado internacional de açúcar encerrou a segunda-feira em queda nas principais bolsas, mantendo o movimento observado nos últimos pregões. A pressão vem, principalmente, das perspectivas de aumento das exportações da Índia e do cenário de oferta global mais ampla.

Na bolsa de Nova York, os contratos com vencimento em maio recuaram 3 pontos, sendo negociados a 14,97 cents por libra-peso. Já os contratos de julho registraram queda de 5 pontos, cotados a 15,16 cents por libra-peso.

Nesta sessão, o mercado operou apenas com referência de Nova York, já que a bolsa de Londres permaneceu fechada devido ao feriado de Easter Monday (Segunda-feira de Páscoa). As negociações no mercado europeu devem ser retomadas normalmente na terça-feira.

Produção na Índia pressiona preços

Os preços do açúcar atingiram a mínima de duas semanas em Nova York, refletindo dados recentes da produção indiana. Segundo a federação de cooperativas do país, a produção entre outubro e março da safra 2025/26 cresceu 9% na comparação anual, totalizando 27,12 milhões de toneladas.

Além disso, o governo da Índia ampliou as cotas de exportação, autorizando embarques adicionais de 500 mil toneladas, o que reforça a expectativa de maior oferta no mercado internacional.

A redução do volume de açúcar destinado à produção de etanol no país também contribui para esse cenário, liberando mais produto para exportação.

O mercado também segue pressionado por projeções de superávit global. Diferentes consultorias e instituições indicam excedente na oferta de açúcar nas próximas safras, impulsionado pelo aumento da produção em países como Índia, Tailândia e Paquistão.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta um superávit de 1,22 milhão de toneladas na safra 2025/26, após déficit registrado no ciclo anterior, com produção global estimada em 181,3 milhões de toneladas.

Brasil também contribui para pressão

No Brasil, o avanço da produção também pesa sobre as cotações. Dados da UNICA indicam que a produção acumulada no Centro-Sul na safra 2025/26 cresceu 0,7%, alcançando 40,25 milhões de toneladas.

Além disso, houve aumento no direcionamento da cana para a produção de açúcar, com o mix passando de 48,08% para 50,61%.

Petróleo 

No curto prazo, fatores externos seguem no radar dos investidores. A recente alta do petróleo chegou a impulsionar os preços do açúcar nas semanas anteriores, ao aumentar a competitividade do etanol e incentivar a destinação da cana para biocombustíveis.

Além disso, tensões geopolíticas, como as interrupções no transporte marítimo no Estreito de Ormuz, também oferecem suporte pontual ao mercado, ao impactar o fluxo global de commodities.

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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