Açúcar recua nas bolsas internacionais com pressão da oferta global e avanço da produção indiana
Os contratos futuros do açúcar bruto negociados nas bolsas internacionais mantiveram a trajetória de queda nesta terça-feira (7), refletindo a pressão do cenário global.
Na bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em maio recuou 22 pontos, sendo negociado a 14,75 cents por libra-peso. Já o contrato de julho registrou queda de 24 pontos.
Em Londres, as negociações foram retomadas após o feriado de Páscoa, também com desvalorização. O contrato de maio caiu 600 pontos, cotado a US$ 429,70 por tonelada, enquanto o contrato de agosto apresentou recuo mais expressivo, de 710 pontos.
Produção na Índia pressiona preços
Os preços foram pressionados pelas perspectivas de aumento da oferta global, especialmente após dados da produção indiana. Segundo a federação de cooperativas do país, a produção entre outubro e março da safra 2025/26 cresceu 9% na comparação anual, totalizando 27,12 milhões de toneladas.
Além disso, o governo da Índia ampliou as cotas de exportação, autorizando embarques adicionais de 500 mil toneladas, o que reforça a expectativa de maior disponibilidade do produto no mercado internacional.
A redução do volume de açúcar destinado à produção de etanol no país também contribui para esse cenário, ao liberar mais produto para exportação.
O mercado segue ainda pressionado por projeções de superávit global. Consultorias e instituições indicam excedente na oferta nas próximas safras, impulsionado pelo aumento da produção em países como Índia, Tailândia e Paquistão.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta um superávit de 1,22 milhão de toneladas na safra 2025/26, após déficit registrado no ciclo anterior, com produção global estimada em 181,3 milhões de toneladas.
Brasil também contribui para pressão
No Brasil, o avanço da produção também pesa sobre as cotações. Dados da UNICA indicam que a produção acumulada no Centro-Sul na safra 2025/26 cresceu 0,7%, alcançando 40,25 milhões de toneladas.
Além disso, houve aumento no direcionamento da cana para a produção de açúcar, com o mix passando de 48,08% para 50,61%.