Açúcar fecha em queda nas bolsas com alívio nas exportações da Índia

Publicado em 07/04/2026 16:49
Decisão do país de manter embarques e aumento da produção global pressionam cotações em Nova York e Londres.

Os preços do açúcar fecharam em queda nas bolsas de Nova York e Londres, pressionados pela notícia de que a Índia não pretende restringir suas exportações. A decisão reforça a expectativa de maior oferta global e contribui para o movimento de baixa no mercado.

Na bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em maio recuou 39 pontos, cotado a 14,58 cents por libra-peso. O contrato de julho também caiu 39 pontos, negociado a 17,49 cents por libra-peso.

Índia afasta risco de restrição nas exportações

O secretário de Alimentos da Índia afirmou que o governo não tem planos de proibir as exportações de açúcar neste ano. A sinalização reduz as preocupações do mercado de que o país pudesse direcionar maior volume da produção para o etanol, em meio às incertezas no mercado de energia. A notícia reforça a pressão sobre os preços, que já vinham em queda desde a semana passada. Dados da Federação Nacional de Cooperativas de Fábricas de Açúcar da Índia indicaram que a produção do país cresceu 9% no acumulado entre outubro e março da safra 2025/26, somando 27,12 milhões de toneladas.

Brasil e cenário global ampliam pressão

No Brasil, o avanço da produção também contribui para o cenário de baixa. Segundo a UNICA, a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul na safra 2025/26 cresceu 0,7%, alcançando 40,25 milhões de toneladas. O mix açucareiro também aumentou, passando de 48,08% para 50,61%.

No cenário global, diferentes consultorias e instituições seguem projetando excedente de oferta nas próximas safras. Estimativas de empresas como Czarnikow, Green Pool e StoneX apontam superávits consistentes, enquanto a ISO projeta excedente de 1,22 milhão de toneladas em 2025/26, após déficit no ciclo anterior.

A produção global deve crescer cerca de 3%, atingindo 181,3 milhões de toneladas, com destaque para o aumento da oferta em países como Índia, Tailândia e Paquistão.

Petróleo e logística ainda dão suporte pontual

Apesar da pressão baixista, fatores externos ainda oferecem sustentação parcial às cotações. A recente alta do petróleo chegou a impulsionar os preços nas últimas semanas, ao aumentar a competitividade do etanol.

Além disso, interrupções logísticas, como as registradas no Estreito de Ormuz, também impactam o fluxo global de commodities. Segundo a Covrig Analytics, o fechamento da rota reduziu em cerca de 6% o comércio mundial de açúcar, limitando a produção de açúcar refinado.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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