Irã volta a fechar Estreito de Ormuz e decisão impacta mercado do açúcar
O Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz, um dos principais corredores logísticos do mundo. A decisão foi tomada horas depois do acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos, Israel e Irã, anunciado na terça-feira (7).
O cessar-fogo a que ambas as partes chegaram prevê uma pausa nos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao território iraniano durante duas semanas. Em troca, o Irã se comprometeu a reabrir o Estreito de Ormuz, responsável pelo transporte de cerca de 20% de todo o petróleo consumido globalmente.
Desde o início do conflito, o Irã havia ameaçado bloquear a passagem em retaliação aos ataques, elevando os riscos logísticos e pressionando os mercados internacionais. Na prática, a restrição ocorreu por meio da ameaça de ataques a navios comerciais que transitassem pela região.
Petróleo
Com o anúncio da possibilidade das tensões diminuir, os preços do petróleo registraram forte queda nesta quarta-feira (8). Por volta das 10h30, o Brent recuava 17,10%, cotado a US$ 90,58 por barril, enquanto o WTI caía 18,51%, a US$ 92,04.
O movimento reflete a expectativa de normalização no abastecimento global, após semanas de alta impulsionada pelo risco de interrupção no transporte da commodity.
Reflexos no açúcar e nas commodities
As interrupções logísticas reduziram o fluxo global da commodity. Segundo a Covrig Analytics, o fechamento da rota chegou a cortar cerca de 6% do comércio mundial de açúcar, limitando a produção de açúcar refinado em alguns mercados.
Além disso, a alta do petróleo registrada durante o conflito elevou a competitividade do etanol, incentivando usinas, especialmente no Brasil, a direcionarem maior volume de cana para biocombustíveis. Segundo especialistas, esse movimento tende a reduzir a oferta de açúcar no mercado internacional, dando suporte às cotações.
Com a queda recente do petróleo, os preços do açúcar devem ficar ainda mais voláteis ao cenário geopolítico.