Açúcar sobe em Nova Iorque e recua em Londres com influência do petróleo e câmbio
As cotações do açúcar seguiram em direções opostas nesta segunda-feira (11). Na bolsa de Nova Iorque, a commodity registrou alta de 30 pontos. Já em Londres, o adoçante recuou até 60 pontos. A volatilidade segue influenciada pela valorização do petróleo e pelo câmbio.
Na semana passada, os preços foram impulsionados pela valorização do real brasileiro. A moeda avançou 0,56% na sexta-feira, permanecendo próxima da máxima de dois anos e três meses atingida na quarta-feira. O fortalecimento do real tende a desestimular as exportações brasileiras de açúcar, fator que oferece suporte às cotações internacionais.
Por volta das 9h (horário de Brasília), o contrato julho do açúcar em Nova Iorque era negociado a 14,72 cents de libra-peso, avanço de 30 pontos.
Em Londres, as cotações iniciaram o dia em baixa. O contrato agosto recuava 40 pontos, cotado a US$ 431,60 por tonelada. Já o vencimento outubro caía 60 pontos, negociado a US$ 431,70 por tonelada.
Mercado spot segue com baixa liquidez
No mercado spot, a última semana de abril foi marcada por baixa liquidez, enquanto os preços do açúcar cristal permaneceram firmes.
Segundo pesquisadores do Cepea, apesar da postura cautelosa dos compradores, que aguardavam novas quedas, os preços não recuaram conforme o esperado. Ainda assim, no acumulado do mês, houve forte desvalorização das cotações.
De acordo com o Centro de Pesquisas, a retração no volume negociado indica resistência dos vendedores à pressão dos demandantes. Além disso, o predomínio de açúcares mais escuros nas negociações reforça a percepção de que a safra 2026/27 ainda não atingiu ritmo pleno, limitando a oferta de cristal de melhor qualidade no curto prazo.
Petróleo influencia mix das usinas
Pesquisadores do Cepea também destacam que os contratos do açúcar na Bolsa de Nova Iorque avançaram na semana passada e, caso o movimento continue, os preços internos podem ganhar sustentação nas próximas semanas. A recuperação externa esteve ligada principalmente à alta do petróleo, que elevou os custos globais de energia.
Segundo o Cepea, diante da valorização do petróleo e da energia, as usinas brasileiras tendem a destinar uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de etanol, reduzindo a oferta de açúcar no mercado.
Na sessão anterior, os preços do adoçante haviam atingido mínimas de uma semana após a forte queda dos combustíveis. A gasolina acumula desvalorização superior a 8% nas últimas três sessões, pressionando o mercado de etanol e influenciando diretamente o mix de produção das usinas brasileiras.