Açúcar amplia perdas nesta sexta-feira com dólar acima de R$ 5,00 e tensão no Oriente Médio
As cotações do açúcar voltaram a operar em queda nesta sexta-feira (15) nas principais bolsas internacionais. Em Nova Iorque e Londres, os contratos futuros ampliaram o movimento baixista observado na véspera, pressionados principalmente pela valorização do dólar e pela volatilidade do petróleo em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Em Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto recuava 8 pontos por volta das 9h (horário de Brasília), negociado a 14,91 cents de dólar por libra-peso. O vencimento outubro caía 11 pontos, cotado a 15,38 cents por libra-peso.
Na bolsa de Londres, o contrato agosto do açúcar branco registrava queda de 210 pontos, negociado a US$ 440,80 por tonelada. O contrato outubro recuava 150 pontos, vendido a US$ 441,00 por tonelada.
Na quinta-feira (14), o mercado já havia encerrado em forte baixa. Em Nova Iorque, o contrato julho caiu 2,54%, enquanto em Londres o contrato agosto recuou 2,74%.
Dólar forte segue pressionando commodities
O fortalecimento do dólar continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre o mercado do açúcar.
A moeda norte-americana abriu esta sexta-feira cotada a R$ 5,03 e acumula valorização de cerca de 2% na semana. O avanço do dólar tende a pressionar as commodities negociadas na divisa americana, reduzindo a competitividade das compras internacionais e favorecendo movimentos de realização de lucros nos mercados futuros.
Além disso, o câmbio mais forte aumenta a atratividade das exportações brasileiras, ampliando a percepção de maior oferta global da commodity.
No mercado doméstico, investidores também seguem monitorando o ambiente político e o cenário das eleições presidenciais, que permanecem no radar dos agentes econômicos.
Petróleo continua no radar do setor sucroenergético
O mercado também segue atento à volatilidade do petróleo, que continua influenciando diretamente o setor sucroenergético.
Os preços da energia voltaram a subir diante da escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente após novos ataques registrados no Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passavam cerca de 20% do fornecimento diário mundial de petróleo antes do conflito entre Estados Unidos e Irã.
As cotações da energia seguem sensíveis às negociações envolvendo a região, principalmente diante das incertezas sobre um possível acordo de paz.
O comportamento do petróleo impacta diretamente o mercado de etanol e o mix de produção das usinas brasileiras entre açúcar e biocombustível. Quando os preços da energia avançam, cresce a competitividade do etanol, favorecendo maior direcionamento da cana para a produção do biocombustível.
Índia restringe exportações
Outro fator acompanhado pelo mercado é a decisão da Índia de proibir exportações de açúcar até 30 de setembro de 2026, ou até nova determinação do governo.
A medida, anunciada pela Diretoria Geral de Comércio Exterior do Ministério do Comércio e Indústria do país, vale para açúcar bruto, branco e refinado.
A restrição não se aplica às exportações destinadas à União Europeia e aos Estados Unidos dentro das cotas tarifárias já existentes.
Mesmo com a pressão baixista desta sexta-feira, a decisão da Índia continua dando sustentação estrutural ao mercado, já que reforça as preocupações com a disponibilidade global da commodity, especialmente diante dos riscos climáticos envolvendo importantes produtores asiáticos.
O mercado também segue monitorando as projeções de déficit global para a safra 2026/27, após a StoneX estimar saldo negativo de aproximadamente 550 mil toneladas no próximo ciclo.