Açúcar fecha em baixa em NY pressionado por queda do petróleo

Publicado em 20/05/2026 15:53
Recuo do petróleo reduz competitividade do etanol e reforça expectativa de maior produção de açúcar; mercado segue atento ao El Niño e às projeções da OIA

As cotações do açúcar encerraram o pregão desta quarta-feira (20) sem direção única nas principais bolsas internacionais, mas com viés baixista predominando em Nova Iorque. O mercado perdeu força ao longo da sessão após a forte queda do petróleo, que reduziu a competitividade do etanol e aumentou as expectativas de maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de açúcar.

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto fechou negociado a 14,73 cents por libra-peso, com recuo de 28 pontos.

Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco encerrou praticamente estável, cotado a US$ 441,00 por tonelada.

Petróleo pressiona mercado do açúcar

Os preços do açúcar chegaram a subir no início do pregão, mas perderam sustentação diante da queda superior a 5% do petróleo no mercado internacional.

O movimento reduziu os preços do etanol e aumentou as apostas de que usinas em importantes países produtores possam direcionar uma parcela maior da cana para a fabricação de açúcar, ampliando a oferta global da commodity.

O setor sucroenergético segue sensível às oscilações do petróleo, já que mudanças na rentabilidade do etanol influenciam diretamente o mix de produção das usinas brasileiras.

OIA projeta recorde em 2025/26 e déficit em 2026/27

O mercado também continua repercutindo as projeções da Organização Internacional do Açúcar (OIA).

Na segunda-feira, as cotações chegaram às mínimas da semana após a entidade elevar sua estimativa de superávit global para a safra 2025/26.

A OIA projeta produção recorde de 182 milhões de toneladas no próximo ciclo, alta de 3,5% em relação ao ano anterior. A estimativa de excedente global foi elevada para 2,2 milhões de toneladas, acima da previsão anterior de 1,22 milhão de toneladas, revertendo o déficit de 3,46 milhões de toneladas registrado em 2024/25.

Apesar disso, a organização também prevê um cenário mais apertado para 2026/27. Segundo a entidade, a produção global deverá cair 1,15%, para 180 milhões de toneladas, enquanto o mercado pode registrar déficit de aproximadamente 262 mil toneladas.

A OIA atribui parte desse risco ao possível fortalecimento do fenômeno El Niño, que pode comprometer a produção de açúcar na Índia e na Tailândia.

Czarnikow vê superávit moderado

Além da OIA, o mercado segue acompanhando as novas projeções divulgadas pela Czarnikow.
A corretora estima um superávit global modesto de 1,4 milhão de toneladas para a safra 2026/27, impulsionado principalmente pelo aumento da produção na China.

A companhia, no entanto, alerta que o excedente pode desaparecer caso ocorram perdas climáticas relevantes ou se o Brasil ampliar o direcionamento da cana para o etanol.

“Agora é bem sabido em todo o mercado de açúcar que o crescimento do consumo tem sido realmente fraco nos últimos dois anos, mas faz tempo que não temos um risco de produção na escala que temos para 2026/27”, afirmou Stephen Geldart, chefe de análise da Czarnikow.

A corretora também revisou para cima sua projeção de superávit para 2025/26, elevando a estimativa para 6,8 milhões de toneladas, sustentada pela maior produção na China e na União Europeia.

Segundo analistas, o crescimento mais lento do consumo global, influenciado pelas preocupações com saúde e pela inflação dos alimentos, continua limitando uma recuperação mais consistente dos preços internacionais do açúcar.

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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