Açúcar abre junho em alta com mercado atento aos riscos do El Niño para a produção global
Os preços do açúcar iniciaram o mês de junho em alta nas principais bolsas internacionais, sustentados pelas preocupações do mercado com os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a produção global da commodity.
Por volta das 11h30 desta segunda-feira (1º), o contrato julho do açúcar bruto era negociado a 14,48 cents por libra-peso na Bolsa de Nova Iorque, avanço de 42 pontos. O contrato outubro também registrava alta de 42 pontos, cotado a 14,96 cents por libra-peso.
Em Londres, os ganhos eram ainda mais expressivos. O contrato agosto do açúcar branco avançava 990 pontos, negociado a US$ 448,10 por tonelada. Já o vencimento outubro subia 860 pontos, para US$ 442,90 por tonelada.
El Niño volta ao centro das atenções
O suporte ao mercado vem das preocupações com a possível formação do El Niño e seus impactos sobre importantes regiões produtoras de açúcar.
Na última sexta-feira, as cotações já haviam reagido após o serviço meteorológico da Índia reduzir sua previsão de chuvas para a temporada de monções entre junho e setembro. A estimativa passou de 92% para 90% da média histórica, aumentando os temores de uma safra menor no segundo maior produtor mundial de açúcar.
O movimento também estimulou a cobertura de posições vendidas nos contratos futuros, contribuindo para a recuperação dos preços.
Além da Índia, o mercado acompanha os possíveis efeitos do fenômeno sobre Brasil e Tailândia. A expectativa é que o El Niño reduza o volume de chuvas em algumas das principais regiões produtoras de açúcar do mundo, o que pode comprometer a produtividade das lavouras e reduzir a oferta global da commodity.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 82% de probabilidade de que as condições de El Niño se desenvolvam entre maio e julho e permaneçam até o final de 2026.
Produção brasileira
Apesar da recuperação observada nos últimos pregões, o mercado continua monitorando o avanço da produção brasileira, que segue como um fator de pressão sobre as cotações.
Na quinta-feira (28), os preços recuaram após a divulgação dos dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que apontaram forte crescimento da produção no Centro-Sul do país.
Segundo a entidade, a fabricação de açúcar alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril na safra 2026/27, volume 55,3% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
O aumento da oferta brasileira continua sendo um contraponto ao suporte climático trazido pelo El Niño, mantendo o mercado atento ao equilíbrio entre a disponibilidade global e os riscos para as próximas safras.